"Eu gostaria de abraçar o mundo inteiro em uma rede de caridade"
António Frederico Ozanam

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Pai Américo há 60 Anos

Pai Américo - foi há 60 Anos

Foi há 60 anos que Pai Américo partiu. Quando disse, antes de partir, «a minha Obra começa quando eu morrer», deixou-nos claro, pela sua e nossa fé, que a sua partida não se traduzia num corte radical com a realidade que deixava. Poderia, por outras palavras, ter dito: «Eu parto, mas continuo, antes vou começar uma nova maneira de trabalho nesta Obra que, um dia, Deus por mim fez nascer, porque me encheu de fome e sede de justiça por aqueles para quem não se olhava nem se cuidava. A minha missão de «recoveiro dos pobres», que cumpri, entrego-a totalmente a vós que a continuais como eu a comecei e fiz crescer. Estarei junto d’Aquele que a pensou, a acalentou e tudo Providenciou, a fim de que vós, que a abraçastes e vos dais inteiramente a ela, não vos guies pelo tino da evidência das realidades, mas pela loucura da fé no divino: o «padre da rua» «é um obreiro do Senhor que vê a Obra feita antes de começada».
69 anos é muto tempo para a vida humana, mas, a obra continua e vai certamente continuar porque o homem também é generoso. Foram anos transformando um pedaço do tempo «que não para», que muitas vidas se doaram e gastaram, entrem muitos (padres, senhoras, e os rapazes), nesta missão de cuidar dos Pobres à maneira de Pai Américo: do Rapaz de rua, do Doente incurável, dos Pobres de muitas outras pobrezas e também dos que não as tendo a condicionar-lhes a vida, perceberam que nas palavras, no testemunho e nas acções de Pai Américo e dos que o seguiram, mereciam um enriquecimento para a vida, de ânimo, de luz, de verdade e de eternidade. É assim que a Obra da Rua aquilo que explicitamente aparece. Há um dentro e um de fora, duas realizações do seu ser família. Delas, uma complementaridade irrompe, de meios e de contributos para a realização vital de uns e de outros, pois a família é um dom e uma capacidade dados ao ser humano para que, na inter-relação, reciprocidade e complementaridade, alcance o desiderato na sua vida, que tem como meta última, pertencer, em pleno, à Família do Criador. Por este anseio, Pai Américo suspirou, exprimindo-se assim: «eu que os meus filhos no Céu». «Somos a família para os sem família».

Nota: o texto é longo e por hoje ficamos prometendo continuar…  

Dados biográficos:
Fundador da Obra "Os Meninos de Rua", colocando o seu altruísmo ao serviço dos mais necessitados.
Nasceu a 13 Outubro de 1887, em Galegos,
Penafiel. Faleceu a 16 Julho 1956, vítima de um acidente de viação.
Apesar da sua vocação sacerdotal teve de enfrentar a oposição do seu pai que o conduziu para a área do comércio.
Trabalhou em Moçambique vários anos e regressou a Portugal em 1923, onde decidiu enveredar definitivamente pela vida sacerdotal. Ingressou no Seminário de Coimbra, em 1925 e a sua ordenação sacerdotal ocorreu em Julho de 1929.
Durante algum tempo, encarregou-se da "Sopa dos Pobres", em Coimbra, concelho onde fundou a primeira "Casa do Gaiato" - em Miranda do Corvo - no ano de 1940.
A de Penafiel viria a ser construída na freguesia de Paço de Sousa, em 1943. Da sua obra destacam-se ainda um lar de estudantes no Porto, fundado em 1945; o "Património dos Pobres" dedicado às famílias sem casa, em 1951 e o Calvário destinado aos doentes incuráveis e abandonados, em 1957.
Referência, ainda, para a fundação do jornal "O Gaiato" cujos artigos contam com a participação dos "Meninos de Rua".
Atualmente, as oito Casas do Gaiato existentes (cinco em Portugal, duas em Angola e uma em Moçambique) ainda continuam a acolher crianças e jovens privados de uma vida familiar normal.

Da sua obra literária, destaque para os seguintes títulos: "Pão dos Pobres", "Obra da Rua", "Isto é Casa do Gaiato", "Barredo", "Viagens", "Doutrina", "Ovo de Colombo" e "O Fundamento da Obra da Rua e Teor dos seus Obreiros", reconhecida como seu testamento espiritual.

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