«Somos chamados ao trabalho desde a nossa criação. Ajudar "pessoas em situação de pobreza" em dinheiro, deve ser sempre um remédio provisório. O verdadeiro objectivo deveria ser sempre consentir-lhes uma vida digna através do trabalho» Laudato Si: página 88.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Precisamos de Santos que usem jeans e ténis


O nosso confrade Renato Lima escreve para o boletim português de junho, lança no final do texto uma reflexão aos confrades e aos jovens como desafio, que a SSVP possa captar jovens para as Conferências e/ou formarem Conferências de Jovens Vicentinos. Neste desafio lembrou o mesmo discurso dirigido aos jovens pelo São João Paulo II: “Precisamos de santos sem véu ou batina. Precisamos de santos de calças jeans e ténis. Precisamos de santos que vão ao cinema, ouvem música, bebem Coca-Cola e passeiam com os amigos”.

Existe um grande trabalho por detrás do CGI, a Vice-presidente Internacional de Juventude, Crianças e Adolescentes tem vindo a produzir inúmeros frutos. Foi estabelecido o dia 4 de julho como “Dia Internacional do jovem da SSVP” para honrar a memória do saudoso Pedro Jorge Frassat, jovem vicentino italiano faleceu aos 24 anos ficando doente após visitar famílias carentes. 
Em Salamanca realizou-se o 2 Encontro Internacional da Juventude da SSVP. Foi dado posse a 12 novos integrantes da equipa internacional geral na definição das estratégias relacionadas com os jovens. 
Tem havido várias videoconferências com debates a questão do jovem inserido nas Conferências e nos Conselhos. O CGI no seu Plano Estratégico prevê no item 3, que trata da juventude, a meta audaciosa de termos jovens na proporção de, pelo menos, 30% dos membros em todos os países. 

No nosso Conselho de Zona, pelos inscritos nos QE em 2016, precisávamos de pelo menos 48 jovens, ou seja, de 3 a 4 jovens distribuídas por cada Conferências.

Qual a metodologia a seguir nos encontros paroquiais:
Como atrair o jovem para a SSVP, há várias estratégias que podemos empreender. Mas a melhor delas é falar sobre Ozanam para os jovens, nos colégios, nas universidades, nos grupos jovens paroquiais e junto dos crismados. Tenho que referir que nos grupos ligados às paróquias a ajuda dos párocos é essencial para refrescar as mais antigas ou como alternativa haver uma conferência de jovens por paroquia.

Falar de Ozanam para os jovens é fundamental dizer-lhes que ele, viveu a vida plenamente: estudos académicos, amizades sinceras, namoro e casamento, mercado de trabalho, família, vida na igreja, presença na SSVP, atuação social, etc.

Ozanam é um exemplo para os jovens do século XXI e acima de tudo ele é exemplo para a humanidade, pois ele foi aquele católico fiel, bom filho, pai amoroso, bom esposo, excelente profissional e protagonista social do bem comum (ao ser considerado o principal precursor da Doutrina Social da Igreja Católica). Frederico Ozanam é o nosso referencial e “modelo possível” de viver a santidade! Temos o dever de partilhar os nossos saberem com os jovens para que estes possam também disfrutar dos benefícios espirituais de ser vicentino, será esse o seu papel em cada comunidade; difundir a figura do bem-aventurado António Frederico Ozanam.

Ozanam, sempre comentava com os jovens, sobre a experiência as lembranças dele dos tempos de estudante: “É feita para nós, diariamente, a mesma pergunta: até quando iremos praticar, dentro das associações católicas, esse tipo de caridade chamado de ‘caridade do copo d’água’? O que faremos para mudar isso, mostrando que não basta aliviar a miséria, mas, sobretudo, secar as fontes de onde emana esta miséria?” 
Ozanam sempre lutou para que a juventude vicentina tivesse uma prática social muito mais comprometida, na defesa da dignidade e pela acolhida generosa juntos dos mais pobres das [pessoas em situação de pobreza], como tem vindo a defender o presidente da rede EARN no combate à pobreza e exclusão social.

Mas, como dizia a SSVP precisa muito dos jovens e precisa de verdade. A Sociedade foi fundada por jovens! O jovem é a renovação da Sociedade de São Vicente de Paulo. As ideias, propostas, inquietações da jovem e jovem vicentino devem ser acolhidas pelos Conselhos e pelas Conferências como um “verdadeiro presente de Deus”. O jovem vem para somar e melhorar com s sua criatividade e inovação e nós precisamos da sua generosidade mesmo com as nas “suas imprudências”, para aperfeiçoar as atividades, os programas, os projetos e as iniciativas adotadas pelos Conselhos e pelas Conferências. 

A este Conselho de Zona cabe a tarefa de dinamizar e incentivar as Conferências Vicentinas a saírem de alguma dificuldade que por ventura sintam no diálogo nas reuniões de Conferência, com os seus Conselheiros ou Assistentes Espirituais, não deixar de abordar o tema, contando sempre com eles, para que em conjunto possam ajudar na captação de jovens vindos do Crisma, entre outros grupos de ajuda-fraterna, no princípio do Ano Pastoral denominado “Todos Discípulos – Missionários” a reforçar ou iniciarem uma nova experiência como vicentinos ou criar novas Conferências de Jovens Vicentinos.

A direção faz o convite a todos os vicentinos do Conselho de Zona neste período descanso, entrar mais reforçados fisicamente e encher os pulmões de Espírito Santo que vos anima a trilhar caminhos em missão à santidade. Precisamos de vicentinos mais santos mesmo que andem de sapatilhas…


  



terça-feira, 10 de julho de 2018

Meditação para Férias « O Dia do Senhor»


REFLEXÃO AOS VICENTINOS PARA AS FÉRIAS

Ao ler o texto sobre o 1 Dia da Semana lembrei-me parte da homilia do Pe. Jorge do Evangelho, 2.º S. João 20,19-31, a Importância do 1º Dia da Semana -  Domingo e refere em determinada altura: Deus está à nossa espera ao Domingo pois se nos dá sete dias por semana e vinte e quatro hora por dia, talvez arranjemos duas horas por semana de oração e encontro com o Senhor.
Aproveitemos este intervalo com a família que escolhemos para descansar, aproveitemos o poder da Meditação, (que exemplo nos deixam os budistas muito recente) façamos todos nós nesta meditação para aparecemos melhor preparados no novo Ano Pastoral 2018-2019 que a igreja nos vai fazer um convite: «Todos Discípulos Missionários»  

La Capilla del Hombre. (a capela do homem) OSWALDO GUAYASAMÍN (1919-1999)

É a história que o garante: o «dies Domini» ou «dies dominica», o Dia do Senhor, o Domingo, é o dia 1 da Ressurreição, o dia da Eucaristia e da Assembleia, o dia que diz e faz a Igreja.
A Lei fizera o Sábado, mas o Domingo criaram-no os cristãos, olhos postos na Ressurreição de Jesus. O Domingo é o fruto histórico e temporal da Páscoa.
Na Igreja, é assim que se faz Teologia, porque a Igreja é o lugar onde a Fé trabalha os «materiais» (as pessoas, as coisas, os casos e as questões, os símbolos e os sinais), onde a Esperança aponta o Futuro e a Caridade anima os Irmãos com os olhos na Cidade de Amanhã.
Por isso a Igreja é capaz de rupturas, de cortar com o Passado, reinventando o Presente na mira do Futuro e na fidelidade às coisas essenciais. A Igreja rompeu com o Sábado do passado judaico e criou um Tempo Novo, mais do que um «primeiro dia» um «oitavo dia», um «dia a seguir ao Sábado», sinal antecipado e imagem do tempo Futuro (S. Basílio, sec IV).
Por tudo isto, o «primeiro dia da semana» foi desde o início uma referência fundamental para a Comunidade primitiva. Porque foi no «primeiro dia da semana» que o Senhor ressuscitou.
Veio a ter nome próprio este dia. Ficou o 1º da semana. Os Judeus chamavam-lhe o Sabat (o dia do descanso ou de Iavé), povos havia que o diziam dia do Sol, mas desde o princípio que para os cristãos foi sempre o primeiro dia da semana, pois que a ressurreição do Senhor, acontecida exatamente no «primeiro dia da semana» e não no último, marca e consagra a rutura com o universo e a prática religiosa do Antigo Testamento.
Os escritos do Novo Testamento – as primeiras reflexões levadas a cabo nas comunidades do início – dão conta disto mesmo: não é por acaso, por exemplo, que o Ressuscitado «aparece» invariavelmente no «primeiro dia da semana».
Por isto é que o Domingo é tão importante para os cristãos. E vamos lá entender-nos: o domingo é assim não por causa da Eucaristia que neste dia se celebra; a Eucaristia é que se celebra preferentemente neste dia por causa da importância do Domingo.
Por isso, este dia, «ordena e persuade o Povo a ser fiel em reunir-se, a fim de que ninguém diminua a Igreja por deixar de frequentá-la e assim o Corpo de Cristo não fique privado de nenhum dos seus membros» (Didascália, escrito do séc. III).
«Nós não podemos privar-nos da assembleia dominical… não podemos passar sem o Domingo», argumentavam no séc. III os Mártires do Domingo que resistiram até à morte ao decreto do imperador Diocleciano que proibia a sua observância.
Os tempos eram outros. Sabemos quanto o Domingo moderno se carregou de atrativos e chamarizes: do espetáculo ao desporto, da vida ao ar livre às possibilidades trazidas pela mobilidade moderna.
Eu penso, no entanto, que o Domingo está a morrer. Está a morrer o seu lado celebrativo cristão e está a morrer porque a Igreja ainda não pegou no tema “Quem para presidir à celebração da Eucaristia no primeiro dia da semana?”. 
Ma o domingo será a nossa marca distintiva. Queiramos ou não.
Há muitos anos já, de visita a um país não católico, quando me informei se e a que horas havia missa no dia seguinte, um domingo, disseram-me que às sete da manhã. Não me agradou muito a perspetiva de me levantar de madrugada, mas lá fui. Quando cheguei, encontrei um pequeno núcleo de cristãos: apenas 17. E só depois percebi tudo. País muçulmano que era, o dia sagrado defendido pela legislação civil era a nossa 6ª feira; no entanto, no «primeiro dia da semana», antes do trabalho, fábrica ou escritório, os 17 cristãos da cidade, na igrejinha católica que eu procurara, reuniam-se às sete da manhã para celebrar a Ressurreição do Senhor!
Pe. Arlindo Magalhães


domingo, 8 de julho de 2018

O que se constrói edifica-se.


O que se constrói não se derruba mesmo na esperança que um naufrágio, um terramoto abale as mentes e a terra. Mesmo numa desgraça dum naufrágio nao devemos deixar de ter a Esperança que volte. Num terramoto as pessoas voltam a renascer entre escombros pois sabendo que tem alguém a espera para abracar.
A isto se chama; Esperança...
Como na vida de cada um passa sempre por duas coisas: sentamos frente a frente, olhos nos olhos e dizer: desculpa vamos recomeçar porque quero ter Esperança!.
Existe sempre esperança, é preciso lutar por ela e não pensar que depois, dizemos nós; há temos Deus, ele troca o mal pelo direito. Não esqueçamos disto que poderei dizer aos egoísmos; Deus, não apaga fogos não e nenhum bombeiro...
Ter esperança é o mesmo que ter fé.
Ter Fé é o que nos dá o Dom do espírito de vida em harmonia com o homem e com Deus, porque o que Deus constroi ninguém consegue derrubar a sua vontade.
Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho, porque o remendo repuxa o vestido e o rasgão fica maior.
Nem se deita vinho novo em odres velhos; aliás, os odres rebentam, derrama-se o vinho e perdem-se os odres. Mas deita-se o vinho novo em odres novos e assim ambas as coisas se conservam».

quinta-feira, 5 de julho de 2018

JOVENS ONTEM, ESCOLHAS HOJE

"Jovem ontem, escolhas hoje"
No dia 4 foi lembrado um jovem vicentino que aos 24 anos Deus chamou-o para sua companhia, de Turim bem cedo seguiu a cultura e costumes herdado pelos pais. Bem cedo preocupado salta do seu leito e pergunta à sua Mãe:
Mamã, Jesus era órfão?
A Mamã de "Dodo" como era tratado na familia, preocupada e admirada responde;
Não meu filho.
Jesus tinha um Pai no céu e outro na terra.
Descansado, voltou a dormir.
Jovem pela seu gosto de estar na vida dedica-se a esquiar, no rapel e la no alto a jejuar dizendo que se não são os maia fortes como podia ser os mais fracos! Cá embaixo nas calçadas nas ruas paralelos a praticar Caridade sem desculpas ou disfarces.
Um jovem pode-se dizer, bem parecido, forte e de um caráter forte e de palavra.
Penso que os jovens de hoje, sem deixar de pratica de desportos ou outros gostos vejam nele; Pedro Jorge Frassat um jovem eleito por opção de vida e guia. 
Por isso empurro aos jovens de hoje:
Nao temam medo;
Sejam duros nas vontades;
Sejam solidários com os animais como foi SFA.
Façam escolhas saudável e não se transformem em cópias importadas.
Arrisquem ser homens de princípios na Fé, vos dá o sustento espiritual tão necessária, que vos dá força no caminho.
Acima de tudo; não copiem outros hábitos que nao sejam vossos por escolha.
Mostrem o ADN de palavra, honra, honestidade, de Amor com o próximo é o amor devido a Deus.

Como nos diz o 16 presidente Renato Lima e com toda a necessidade nos tempos presentes e, referindo-se ao Papa João Paulo II num encontro com jovens: «Precisamos de santos sem véu ou batina. Precisamos de santos de calças de jeans e ténis. Precisamos de santos que vão ao cinema, ouvem música, bebem coca-Cola e passeiam com os amigos»
Bem hajam...

quarta-feira, 27 de junho de 2018

PEDRO JORGE FRASSATI

Modelo Jovem Vicentino do século XX
04 julho 1925

A 6 de abril 1901 em Torim-Itália, nasce Pedro Jorge Frassat que ao longo da sua vida curta marcou os seus companheiros quer pelos seus exemplos de caridade quer pela sua palavra de honra, pelo seu carater de nunca dar o dito pelo dito, jovem alegre e bem-educado onde os seus pais souberam transmitir e que ele respeita religiosamente. Ainda muito jovem com idade 24 anos no dia 4 de julho de 1925 partiu definitivamente para o Pai. Este ano em celebração recordamos 93 anos sobre a falecimento considerado um Modelo Vicentino.
Seu pai foi diretor do jornal «Lá Stampa» e embaixador de Roma em Berlim. E de uma mãe admirável que nele soube incutir o culto da verdade, simpatia e virilidade apreciada por todos seus amigos.
O que marcou pessoalmente como vicentino foi aos 17 anos entrou para a Conferência S. Vicente de Paulo nos Padres Jesuítas do Instituto Social e dali passou para o Círculo Universitário. Para todos nós vicentinos, nos dá grande prazer é tomar conhecimento de algumas partes do seu percurso desde criança até jovem que não ultrapassou duas dúzias de anos e que para os nossos vicentinos jovens de hoje, servira de grande exemplo de vida Cristã pela sua simplicidade, sabedoria, humildade e serviço aos pobres, não regateava esforços. Foi um Jovem que se dedicava muitas horas à oração do terço e vigília noturna e ao jejum. Ainda na montanha observava escrupulosamente o jejum.  Numa excursão durante a quaresma jejuou ao modo clássico, no dia em que devia guiar uma leva de alpinistas menos experimentados. Fizeram-lhe observar que seria melhor ter comido: com aquela saúde, com aquele estômago…
- Mas atalhou ele ironicamente – se não jejuam os fortes e os são, quem há-de jejuar?...
Mas depois de devidas insistência, acabou por comer, lá seguiram.
Recuemos agora aos tempos de criança e adolescente.

Um dia acorda estremunhado e saído debaixo do cobertor que o cobria chega á sala onde se encontrava a sua mãe.
Esta admirado pergunta-lhe:
- Dodo, que foi?  (1)
- Mamã! Jesus era órfão?
E os olhos rebentam-lhe em lágrimas enormes. Ouvira com certeza falar de que Nosso Senhor enquanto Deus não tinha mãe, enquanto homem não tinha pai e esta verdade do catecismo que todos nós aprendemos sem surpresa, nele, por uma intuição infantil deveras original, produzira este desabafo de ternura.
Admirada, comovida, a mãe teve um repente feliz:
- Não, meu filho, Jesus não é órfão…
- Então Ele tem pai?
- Ate tem dois: um no céu, outro na terra.
Já de rosto desanuviado, ficou num sino e bem-disposto voltou a adormecer.

Na véspera de Natal, já com 12 anos idade, uma tia paterna deu-lhe 50 liras, recomendando-lhe que as pusesse a render. Chega a casa com as moedas que pesavam muito, foi ter com uma criada da casa, mãe de família e num sorriso de ventura disse-lhe:
- Tome lá e compre alguma coisa para os seus filhos. Era um modo original de pôr as 50 liras a render.
Foi assim que agia de igual maneira com Frau Daniele, uma velha criada alemã, acamou. Perguntava-lhe se precisava de alguma coisa? Ele lá dizia; deixe, eu vou buscar.
Fazia isto a uma criada de serviço idosa e com as suas cismas, como o faria ao pai e à mãe. Uma delicadeza solicita, pronta a dar-se e a prestar serviços – tal foi um dos carateres mais amáveis desta criança eleita.

(1) Nome familiar de ternura.
Estes são alguns pequenos excertos de vida retiradas da sua biografia, autor: E. Vasconcelos-Livraria Apostólico da Imprensa Porto.
Estamos no princípio do século XX, na nossa era para muitos, mas para os mais novos, será pouco conhecida a sua história embora haja referencias, breves do livre de Modelos Vicentinos.
Conta na sua biografia várias histórias da sua passagem e convivência com os Padres Jesuítas, que marcou a sua participação e ação de vicentino. Algumas vezes era visto de terço na mão a rezar na igreja. Com os seus amigos nas suas incursões pelos montes nas aventuras de alpinismo e escalada, era nesses meios da neve que meditava, jejuava a descobrir Deus. Era um jovem franco e de palavra uma delas serviu-se a bom uso a amizade dos seus amigos, que tantos bons exemplos de sinceridade, honestidade firma da palavra dada e percorrendo de fugida, a sua atividade vicentina o absorveu porque, conforme afirmava e fazia mais bem aos seus amigos vicentinos do que aos pobres. A um tipógrafo amigo, que se lhe queixava do desânimo de certos operários modernos, angustiados por grande miséria morais, observava-lhe: «Olha para se curarem, seria bom que fizessem a visita aos pobres».


Eis o texto da lápide, na Igreja da Crocetta (paróquia de Nossa Senhora das Graças) – Turim:
VI abril MCMI – IV julho MCMXXV
Pedro Jorge Frassati
Apóstolo da caridade, aqui na oração e união eucarística cotidiana, conseguiu luz e força para combater o bom combate, realizar o curso da vida e responder sereno à inesperada chamada de Deus, como bom soldado de Cristo.


Recordação e estímulo aos rapazes.

sábado, 23 de junho de 2018

O ter ou não ter ex. a questão…

Ser ou ter uma vida de prática de pobreza, abstrair-se de riquezas não é mal nem pecado
nenhum embora possa haver menos regalias económicas pessoais que estamos de alguma maneira, habituados. No entanto Jesus diz: Não vos preocupeis quanto à vossa vida que levais; como arranjar de comer, nem quando o corpo precisa de vestir pois Deus sabe do que precisais e não vos deixa sozinhos. Há outra parte ainda bem recente que vem da vontade dos Bispos Conciliares no Concilio Ecuménico II, ouve vontade que a igreja dos pobres; ao convite de ter uma vida mais recatada, mais económica e menos pomposa. Um dos bispos do grupo destaca-se D. Helder Camara, na altura bispo-auxiliar de R.J, com as suas circulares conciliares que mais tarde se juntaram mais 300 bispos. Os olhos do mundo inteiro virar-se-iam para nós… «Mas incomodaríamos demasiado os nossos irmãos que ainda não foram tocados pela graça do amor à pobreza» Seria grande o perigo de nos exibirmos como fariseus. Isto pode nos dar uma ideia ao convite de Jesus aos seus discípulos: Não vos inquieteis, dizendo: "Que havemos de comer? Que havemos de beber? Que havemos de vestir?" Os vicentinos, tem muito esta preocupação com o estado económico, mas devíamos todos procurar primeiro o reino de Deus e a sua justiça.
  
Evangelho segundo S. Mateus 6,24-34.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro.
Por isso vos digo: Não vos preocupeis, quanto à vossa vida, com o que haveis de comer, nem, quanto ao vosso corpo, com o que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que o vestuário?
Olhai para as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; o vosso Pai celeste as sustenta. Não valeis vós muito mais do que elas?
Quem de entre vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à sua estatura?
E porque vos inquietais com o vestuário?
Olhai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam; mas, Eu vos digo: nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles.
Se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao forno, não fará muito mais por vós, homens de pouca fé?
Não vos inquieteis, dizendo: "Que havemos de comer? Que havemos de beber? Que havemos de vestir?"
Os pagãos é que se preocupam com todas estas coisas. Bem sabe o vosso Pai celeste que precisais de tudo isso. Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo. Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã tratará das suas inquietações. A cada dia basta o seu cuidado».


quarta-feira, 20 de junho de 2018

Os Preceitos e a paciência


Na Bíblia, em Provérbios, Capítulo 6 versículos 20-23, fala-nos dos preceitos como devemos guardar, tratar, servir e seguir os nossos deveres em relação com os nossos pais. O convite é individual e também vicentino na missão; ide e ensinai os preceitos aos nossos amigos e aos nossos filhos e diz-nos:

Meu filho, guarda os preceitos do teu pai
E não desprezes os ensinamentos da tua mãe.
Trá-los constantemente sobre o coração
E ligados em volta do pescoço.
Servir-te-ão de guia no teu caminho,
Velarão por ti, quando dormires
E falar-te-ão, quando despertares.
Na verdade, o preceito é uma lâmpada,
O ensinamento é uma luz
E a correção é o caminho da vida.

A nossa vida nos ensina a relação de afetos e de amor quando estamos a tratar dos nosso pais porque são idosos, doentes sem forças para caminhar, ou sem capacidades para serem autónomos, mas, todos nós sabemos o quanto é doloroso pela falta de paciência que temos muitas vezes com os nossos pais. Sabemos e constatamos que muitas vezes que a nossa mãe ou o nosso pai, nos lembra das coisas mais que uma vez, está sempre a repetir a mesma coisa sei lá quantas vezes no inicio do dia, é ao almoço ou quando vamos sair, ela está sempre a repetir: Meu filho não te esqueças de levar agasalho. Olha; não te esqueças de dizer ao teu filho que tenha cuidado na escola. Não te esqueças de levar a botija para te aquecer os pés agora no inverno. A nossa mãe está sempre a repetir sempre a mesma coisa quantas e quantas vezes… Olho para ela ou para ele e penso um dia eu não os vou mais ter por perto, um dia vamos sentir a sua falta dos dois. Vai chegar a altura que vamos ter saudades e desejaríamos tê-los de novo ao nosso lado, mas não vai ser assim. Quantas vezes estas lembranças são ditas sem conta.
Te poderei dizer, tem paciência para com os teus pais, tem paciência e ajuda-os na sua caminhada que falta. Têm paciência… Por isso a partir de hoje, se estiveres longe… liga-lhes e fala com eles. Se estás em casa, senta-te ao lado deles e abraça-os, beija-os e se for caso disso, diz-lhe que amanha estas outra vês sentado aos pés deles.
Na primeira parte da bíblia em provérbios e da segunda em que o convite é feito para termos paciência, vou deixar uma carta como se fosse uma mensagem dos nossos pais dirigida a cada um de nós que gostaria que depois possam ler com calma.


Meu amado filho
Minha amada filha.

No dia em que teu velho não for mais o mesmo tem paciência e compreende-me. Quando deixar cais comida sobre a minha camisa ou as milhas saias e quando me esquecer como de atar os meus sapatos, tem paciência comigo e lembra-te das horas que passei a ensinar-te a fazer as mesmas coisas. Se conversares comigo e se repetir as mesmas estórias que já sabes como terminam, não me interrompas escuta-me, quando eras criança para dormires tive que te contar milhares de vezes a mesma estória até que fechasses os teus pequenos olhinhos. Quando estivermos reunidos e sem crer fizer as minhas necessidades não fiques com vergonha de mim, compreende que não tenho culpa disso pois já não poderei controlar. Pensa quantas vezes pacientemente eu troquei as tuas roupas, te limpei e sempre limpo e a cheirar bem e não me reproves se eu não quiser tomar banho, mas tem paciência comigo. Lembra-te dos momentos que te persegui e os mil pretextos que inventavas para me convencer a não tomar banho!
Quando me vires inútil, ignorante na frente das novas tecnologias ou no telemóvel, peço que me dez todos o tempo necessário e não me critiques com o sorriso sarcástico, lembra-te que foi eu que te ensinei também coisas, ensinei a comer, a vestir, a andar isso foi o esforço da minha perseverança. Se em algum momento ao conversarmos com eu me esquecer de que estávamos a falar tem paciência, não grites comigo e ajuda-me a lembrar, talvez a única coisa importante naquele momento seja o facto de ver vocês perto de mim dando-me atenção. Se alguma vez não quiser comer, que tu saibas insistir com carinho assim como eu fiz tantas vezes contigo. Que também compreendas que com o tempo não terei dentes fortes e nem agilidade para engolir e tu deverás colocar a comida na minha boca, tem paciência comigo e quando as minhas pernas falharem por estarem tão cansadas e eu já não mais conseguir equilibrar com ternura da minha mão para me apoiar como fiz quando tu, começas-te a caminhar com as tuas peninhas frágeis. E se algum dia me ouvires dizer que não quero mais viver, não te aborreças comigo, algum dia entenderás que não tem haver com o teu carinho ou com quanto te amo. Compreende para mim como é, difícil ver a vida abandonando aos poucos o meu corpo que é duro de medir, já não tenha mais vigor para correr ao teu lado, ou para te tomar nos meus braços como antes. Sempre quis o melhor para ti e sempre me esforcei para que o teu mundo fosse mais confortável, mais belo, mais florido e até quanto me foi terei deixado para ti outra rota em outro tempo, mas estou certo de estar sempre presente no teu pensamento. Não te sintas triste ou impotente e se me vires assim com um andarilho, não me olhes com cara de pena, dá-me apenas o teu coração, compreende-me e acolhe-me como quando começaste a viver, isso me dará muita força e muita coragem da mesma maneira que te acompanhei no início da tua jornada. Peço-te que me acompanhes para terminar a minha, não me deixes sozinho, trata-me com amor e paciência e eu te devolverei sorrisos e gratidão com mesmo amor que sempre tive por ti.
Atenciosamente teu Pai ou a tua Mãe.   
 Pe.Christian-CN