«Somos chamados ao trabalho desde a nossa criação. Ajudar "pessoas em situação de pobreza", deve ser sempre um remédio provisório. O verdadeiro objectivo deveria ser sempre consentir-lhes uma vida digna através do trabalho» Laudato Si: página 88.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Vida de Ozanam (VI)

Vida de Ozanam (VI)

Primeiro Regulamento da Sociedade de São Vicente de Paulo

As actividades da Conferência de Caridade estavam praticamente definidas. Sua expansão, porém, reclamava um elemento de orientação e vinculação. Resultou disso a aprovação de um Regulamento em 1835, no qua1, pela primeira vez, se estabeleceu a qualificação da obra como “Sociedade de São Vicente de Paulo”. Sua elaboração coube a Ozanam e Lallier, tendo Bailly escrito o preâmbulo, denominado “Observações Preliminares”, reproduzidas sempre em todas as edições, mesmo as publicadas em outras línguas.


Doutorado em Direito e a Primeira Conferência em Lião

Embora obrigado a doutorar-se em Direito, para satisfação dos pais, Ozanam lançou-se na conquista da licenciatura em Letras e conseguiu em 2 de maio de 1835, “o bendito Diploma”, caminho para o doutorado. Em 30 de Abril de 1836 defendeu a tese para doutorado em Direito, conquistando seu diploma, com capacidade para incumbir-se do ensino superior. Pouco se alegrou com esse título, que via como “corda no pescoço” , conforme declarava aos amigos. A família de Ozanam preparou-se para recebê-lo festivamente, oferecendo-lhe óptimas instalações para seu escritório de advocacia e ele mesmo não escondia sua alegria, por poder dizer à sua mãe que ela o recebia intacto de coração e de inocência, como quando partira. Como para exercer a profissão precisava esperar quatro meses, Ozanam procurou fundar nesse interim, a primeira Conferência de Lião, contando com a colaboração de antigos companheiros de Paris.

Graças a Ozanam, auxiliado pelo Barão Chaurand, antigo confrade em Paris e grande fazendeiro, Lião teve a dita de ver funcionar a primeira Conferência fora de Paris, embora enfrentando grande oposição dos tradicionalistas, que usaram, na frase de Ozanam, “mesquinharias, aleivosias, vilanias, argúcias e minúcias, de que são capazes essas gentes”. A tenacidade e o esforço de Ozanam e dos companheiros venceram as resistências, passando de cem os confrades, donde a necessidade de dividir aquela Conferência.

A Sociedade, em Lião, podia apresentar-se como modelo, tomando rumos pioneiros. Socorria cem famílias, dando-lhes assistência médica; atraía confrades e assistidos à prática dos Sacramentos; organizou círculos de estudos para militares, preparando-lhes uma biblioteca com uma escola, tendo confrades por professores; acertava reuniões domingueiras na igreja para prelecções do Vigário. Essas actividades mereciam aprovação da autoridade eclesiástica e bênçãos do Arcebispo. E de tudo era enviado Relatório a Paris.

De Lião Ozanam acompanha os trabalhos da Sociedade em Paris

Mesmo ausente, Ozanam acompanhava com solicitude as actividades das Conferências de Paris. Escrevendo a Lallier, colocava-lhe nos ombros a responsabilidade pelo funcionamento da sociedade: “Depois de Bailly, você é a alma da Sociedade. De você dependem a união, o vigor, e a duração da obra” .Recomenda a publicação da “Circular” para remessa aos confrades com o Relatório anual. Incita-o a assistir às reuniões dos Conselhos, não negligenciando na correspondência.

O que mais recomendava Ozanam aos confrades parisienses era a manutenção do espírito de humildade, virtude primeira, tão exigida por São Vicente de Paulo. Manda preferir a obscuridade à prosperidade, afastados o orgulho colectivo, louvores dos próprios actos, elogios descontrolados e sobretudo a publicidade “que seria nossa morte” .Destacava a necessidade de religar todas as Conferências entre elas, tendo Paris como centro, preparando, assim, o estabelecimento dos Conselhos Particulares e Centrais.

Ozanam perde seu pai

Sem entusiasmo e sem alegria, prestou Ozanam juramento de advogado no Foro de Lião, em Novembro de 1836. Seus primeiros contactos com alguns clientes foram desanimadores. Não tinha disposição para andar atrás de causas. Só se sentia bem defendendo o interesse dos pobres. Não com pactuava com certos arranjos que “degradavam a justiça”, na qual ele queria ver “o último asilo moral, o último santuário da sociedade presente” .Aquela forma de vida “irritava-o, deixava-o profundamente ulcerado”.

Consciente de que não dava para as lides judiciárias, Ozanam começou a pensar na ocupação da cadeira de Direito Comercial, cuja criação vinha sendo reclamada pela Câmara de Comércio de Lião. Mas, para tanto, era indispensável muito trabalho junto ao Governo. Estando a solução final em Paris, para lá se dirigiu Ozanam em 1837, confiante no prestígio de Jean-Jacques, filho de Ampère. As coisas iam bem encaminhadas, quando recebeu catastrófica notícia: Seu pai agonizava.

De Paris a Lião gastou Ozanam três dias, não tendo alcançado o enterro de seu amado pai, falecido em 12 de Março. Morreu no exercício da Caridade, quando, descendo uma velha escada, após socorrer um pobre, escorregou, fracturando o crânio. Apesar da velhice, mantinha essas escaladas, no que era também acompanhado às ocultas pela esposa. Apesar de se prometerem cessar tão arriscadas visitas, continuavam a fazê-las, muitas vezes um pilhando o outro na quebra da promessa feita.

 A dor de Ozanam foi inconsolável. Escrevendo a Jean-Jacques Ampère, cujo eminente pai falecera há pouco, Ozanam enaltecia as superiores virtudes daquele que lhe formara o carácter e que “se não era ilustração de primeira ordem, pelos seus trabalhos e suas virtudes se fez estimado e amado de todos, no serviço dos quais morreu” . O pai de Ozanam era o apoio do edifício doméstico e sua morte significava o desmoronamento do lar.

Com a morte do genitor, Ozanam iria assumir a obrigação de manter a mãe viúva e continuar a educação do irmão casula Carlos. O outro, padre Afonso, não lhe seria pesado. Apesar de bem situado na vida, o extinto pouco deixara, pois grande parte da clínica era gratuita, destinada aos pobres. Coube, assim, a Ozanam assumir todos os encargos da família, sem rendas suficientes, pois da advocacia, pouco lucrava.

Doutorado em Letras é nomeado Professor de Direito Comercial

Entregue ao trabalho profissional, ocupado ainda com aulas particulares, Ozanam, apegado ao desejo de conseguir o Doutorado em Letras, não cessava de estudar, preparando duas teses, uma em latim sobre poetas da antiguidade e outra em francês sobre a Divina Comédia e a Filosofia de Dante. Para imprimi-las e defendê-las, viajou a Paris em Dezembro de 1838, temeroso, pois deixava a mãe enferma. As teses de Ozanam “foram geradas e nutridas na dor”.


88 Verdadeira multidão lotava o anfiteatro da Sorbona, quando, a 7 de Janeiro de 1839, Ozanam defendeu suas teses. Velhos professores, sábios e eloquentes, interrogavam o jovem examinando, que empolgou examinadores e assistentes, manifestando estes vivos aplausos. O Ministro da Instrução, Victor Cousin, não conteve seu entusiasmo, exclamando: “Senhor Ozanam, sua eloquência nunca foi superada nesta faculdade”. Este formidável êxito repercutiu em Lião, onde o Conselho Municipal o nomeou Professor de Direito Comercial.

sábado, 28 de dezembro de 2013

2014 Ano de Novos Desafios!

Feliz Ano Novo 2014

Daqui a dias termina o Ano 2013 e na viragem para o ano novo 2014 eu, em nome do «Conselho de Zona Gaia Norte da Sociedade São Vicente de Paulo», desejo a todos os vicentinos um Novo Ano cheio de alegria, saúde, boas perspectivas na resolução dos problemas sociais, económicas e da falta de felicidade estampada nos rostos em cada um que visitemos. 

Neste novo ano apresenta-se novos desafios sendo necessário esperança na resolução dos problemas. 
Como nos disse o novo Papa Francisco será necessário ter em conta algumas novas atitudes no desafio: «Empatia-Humildade-Exemplo-Comunicação-Optimista-Servidor-Sorrisos e sentido de humor-Respeito palas diferença-Cooperação mútua e amor ao próximo e por último-Inspiração. 
Se te deparares com algumas dificuldades para, apresenta o problema a Deus e espera que ele te diga como agir… 

A igreja precisa de vós todos, sem excepção, em cada função que estão encarregados deixaria uma mensagem já por vós conhecida, de São Vicente de Paulo: “Se dez vezes ao dia visitardes os pobres, dez vezes ao dia encontrareis Jesus Cristo.” 

Termino dirigindo-me aos Jovens vicentinos, não tenhais medo de fazer Caridade, Jesus Cristo é leal, amigo e companheiro e estará sempre à vossa espera que lhe faças uma chamada. Pega no telemóvel, no twitter ou vai ao facebook e liga-lhe, liga-lhe já!

PAZ E BEM



segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Vida de Ozanam (V)

Vida de Ozanam (V)

Cresce a Conferência de Caridade

Na Conferência de Caridade, pretendiam os fundadores mantê-la restrita entre eles, unidos pela amizade para a caridade. A admissão de estranhos poderia esfriar o ambiente e destruir a intimidade reinante. No entanto, havia fora alguns colegas vivendo a mesma fé, que podiam ajudar sendo ajudados. Entraram assim novos confrades -La Noue, Le Prevost, Hommais, Pessoneaux, Chaurand -subindo a 15 no verão e a 25 no outono de 1833, sendo 18 deles propostos por Ozanam.

A Sociedade alargava seus serviços aos pobres, atendidos tanto na miséria do sustento como na da alma. Semanalmente realizavam os confrades suas visitas, fazendo-se notados a ponto de organizações do Governo solicitarem-lhes a colaboração, assistindo jovens delinquentes, prisioneiros; a própria Irmã Rosalie ia procurá-los para ensinar operários a escrever. Alegrava-os mais o apoio do Padre Fandet, seu vigário, a quem comunicavam seus trabalhos e que lhes trouxe os aplausos do Arcebispo.

Nasce a Sociedade de São Vicente de Paulo sob a protecção da Virgem Maria

Desde a fundação, a Conferência se colocara sob o patrocínio de São Vicente de Paulo, santo francês muito popular, chamado mesmo de “Pai da Pátria” Em sessão de 4 de Fevereiro de 1834, Le Prevost lembrou que adoptassem não só o patrocínio mas o título de São Vicente de Paulo para a Sociedade, com sua invocação nas orações oficiais, e solene celebração de sua festa. A proposta mereceu aprovação sob aplausos. Estava baptizada a Sociedade.

Ozanam, grande devoto da Mãe de Deus, concordando com o patrocínio de São Vicente, sugeriu, recebendo aprovação, que fosse a obra colocada sob a protecção da Virgem Maria, acrescentando-se a Ave-Maria às orações e comemorando-se uma de suas festas. Aceitaram a da Imaculada Conceição, adoptando a Sociedade duas festas no ano. A decisão é tanto mais para destacar, pois somente em 1854 foi proclamado pela Igreja o dogma da Imaculada Conceição.

Bacharel em Direito

Após submeter-se aos exames para licenciamento em. Direito, Ozanam recebeu o Diploma de Bacharel, em 15 de Março de 1834. Dominado por justificada satisfação, apressa-se em transmitir o acontecimento à sua mãe, com a exclamação em carta: “Eu, Bacharel!” E acrescenta: “A Senhora já pensou nisso?” Mas acrescentava em seguida: “O título de Bacharel não é, porém, grande coisa”. Isso porque precisava conquistar ainda o doutorado em Direito, profissão que não lhe agradava.

O Bacharel Frederico Ozanam chegou a Lião para gozar as férias com a família, no feliz: ambiente doméstico, desfrutando o calor da amizade paterna, as delícias do aconchego materno, os conselhos do irmão mais velho e a satisfação do casulo. Não esquecia Paris, no entanto, sobretudo os camaradas vicentinos, a bonomia de Bailly, e as sessões da Conferência. Foi com alegria que recebeu consentimento do pai para retornar a Paris e preparar a tese para o Doutorado.

Divisão da primeira Conferência de Caridade

No dia 23 de Abril de 1834 Ozanam atingia a maioridade. Encara os 21 anos com toda a seriedade, voltando seus pensamentos para Deus e para a morte -”esses dois companheiros que sempre nos acompanham”. Começava a obrigação de jejuar. Continuava a enfrentar as tentações do mundo e ainda mais as maldades dos colegas que o tachavam de carola. Via em tudo provações que deveria dominar para ser mais útil ao serviço de Deus.

Em Novembro de 1834 chega Ozanam a Paris. Iria coroar com grau superior seus estudos jurídicos. Teria que enfrentar dura luta com estudos e trabalhos vicentinos, sem esquecer a Literatura. A divisão da Conferência, já tão numerosa, era, a seu ver, uma questão de sobrevivência daquela obra. Levar o Pe. Lacordaire ao púlpito de Notre Dame para instalar uma apologética consoante com a época, era outra meta a atingir. Ozanam enfrentaria tais obstáculos com pertinácia.

O número de confrades aumentava tanto que, em Dezembro de 1834, era 100. Isto criava sérios inconvenientes, entre outros, o alongamento das sessões com os relatórios das visitas aos assistidos. Ozanam vinha insistindo, desde abril, na divisão da Conferência, sendo repelido por alguns que argumentavam a impossibilidade de Bailly presidir mais de uma sessão, o que faria perigar a novel sociedade. Na volta das férias, retomou o problema com decisão.

Como persistisse a oposição de alguns, inclusive de La Taillandier, que chorava ao pensar no caso, Bailly designou em 31 de Dezembro uma comissão para tratar do assunto defendido por Ozanam. As divergências iam promovendo o tumulto, quando soou meia-noite. Bailly pediu que se abraçassem no novo ano, e confiassem a ele a decisão final. Todos concordaram mas só a 24 de Fevereiro de 1835 Bailly procedeu à divisão da Conferência em duas secções.

Admitida a divisão, começaram a surgir novas Conferências, todas, porém, sob a presidência de Bailly, “o Pai Bailly”, guarda das tradições, mas tendo Ozanam como a alma daquela dispersão, acompanhando todo o movimento. Ele tinha em vista a santificação pessoal dos confrades e especialmente a preservação moral e religiosa da juventude académica. Nesse sentido. pensava na melhor forma de levar Deus à inteligência e ao coração dos moços. A solução seria o Padre Lacordaire.

Arcebispo finalmente permite a realização de conferências em Notre Dame

As ocupações dos jovens estudantes na Conferência não os impediam de cuidar dos meios para formação cristã dos intelectuais, especialmente no combate ao ensino ateu na Sorbona. Voltaram, então, a insistir junto ao Arcebispo pela realização de conferências em Notre Dame, a cargo de Lacordaire. Embora preferindo outros, D. Quélen designou, afinal, este sacerdote. Assim, a 8 de março de 1835, Lacordaire obtinha retumbante êxito, atraindo uma grande multidão desejosa de conhecer as verdade eternas.

A insistência de Ozanam pela escolha de Lacordaire fundamentava-se nos insucessos de oradores precedentes naquele púlpito. E o Arcebispo, que tanto relutara ante seus apelos, vibrou de entusiasmo vendo o templo inteiramente lotado pela fina flor da intelectualidade francesa, chamando o ilustre sacerdote “consolação e alegria de seu coração” Ozanam convidava colegas e professores, e, para lhes garantir lugares, chegava duas horas antes na igreja, a fim de reservá-los, agradando assim aos retraídos.
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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Santo Natal "Toda Família Vicentina"

Santo Natal a todos os Vicentinos e Vicentinas de Portugal e pelo Mundo.

Que a "Paz do Senhor" esteja sempre convosco


Votos do Presidente do Conselho de Zona Gaia Norte da
Sociedade São Vicente de Paulo

PAZ E BEM

domingo, 15 de dezembro de 2013

Ordenação Díaconal filho de uma vicentina Vilar Andorinho

Foi no dia 14 de Dezembro na Igreja da Sagrada Família Vila d'Este, pelas 19 horas que foi Celebrada a Eucaristia em que o Diácono Permanente José Luís, deu início ao seu ministério.
A importância deste acto a que o Conselho de Zona Gaia Norte esteve representada,e pelo facto de ter sido ser filho de uma vicentina. A SSVP ficará mais rica e a caminho de mais um convite feito ao José Luís ao serviço. Que seja em favor dos mais pobres. Na homilia lida pelo Diácono fez um resumo do Evangelho Mateus, (11,2-11). Nos fala de São João Baptista estado na prisão ouviu falar da obra de Jesus Cristo, manda alguns discípulos para lhe perguntar:«És Tu aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro? Jesus adivinhando que na mente dos outros poderia haver dúvidas quem ele era manda dizer a João: «Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: cegos recuperam a vista, paralíticos andam, leprosos são curados, surdos ouvem, mortos ressuscitam e aos pobres se anuncia a Boa-Nova. E feliz de quem não se escandaliza a meu respeito!». 
Aproveito a minha presença tomar conta de algumas partes que transcrevo aqui, algumas partes da homilia dita pelo Diácono José Luís, dizendo em alguns minutos  em certa altura as leituras dizendo: As leituras desta missa são uma introdução ao Natal mas, festejar o Nascimento de Cristo implica que todos os homens e mulheres o recebam. É importante que nos perguntemos: - Estamos mesmo interessados em anunciar Jesus?. Ajudar os que sofre, Evangelizar os pobres?
vivemos um tempo que parece que os homens e mulheres não tem cede de Deus. Mas qual é o Deus que nos chama?
como Cristão que se propõe dar-se ao Reino e serviço de Deus, manifesta o seu testemunho dizendo:

- Já todos me conheceis.
Foi entre vós que me formei e devo à nossa comunidade paroquial todas as alegrias. Agradeço aos meus pais; Jorge e Irene que me apresentaram Jesus. E a outras pessoas como a sua catequista e a todos que o ajudaram a descobrir Jesus.
Agradece também a sua esposas e filhos.

eu sei o que deixei mas não sei o que vou encontrar, mas conto com as vossas orações e fraternidade.
O nome Diácono tem origem na Grécia que significa Diaconia, que significa serviço. O Diácono surge inicialmente no tempo dos apóstolos como auxiliar na caridade. O 1º diácono fora nomeado pelos apóstolos porque era para acudir as necessidades do povo e anunciar a Boa Nova. São Estêvão foi o 1º diácono e o 1º a sofrer.
A terminar diz ainda: - Sou pequeno, sou pecador. Prometo pelo menos não atrapalhar, (sorriso). Vou procurar escutar mais e falar menos. Servir mais do que ser servido. estarei disponível para o que precisares de mim e estar atento ao sinal do Espírito Santo. Rezai por mim. Obrigado. 

sábado, 14 de dezembro de 2013

Vida de Ozanam ( III )

Vida de Ozanam (III)

O início da amizade com Lamache

Noutra feita, na Escola de Direito, um estudante prestava atenção à atitude séria de Ozanam e procurou conhecê-lo. Encontrando-o na saída da igreja de Santo Estêvão, alegrou-se por sabê-lo católico. E propôs serem amigos. Era de Goy.
Outro católico, filho de médico e segundanista de Direito, aproximou-se de Ozanam, estendendo-lhe a mão. Era Lamache. Outros apareceram mas somente três mosqueteiros permaneceriam na futura arena vicentina: Ozanam, Lallier e Lamache.


Ozanam combate à irreligiosidade dentro da Sorbona

O pequeno grupo crescia, movido pelo mesmo fim: Defesa da Religião em face da irreligiosidade audaciosa e triunfante. O anticristianismo dominava raivoso na imprensa, em comícios, na Sorbona, nesta principalmente, com a agravante de sofrerem ataques violentos os estudantes católicos. Com a arregimentação dos mais dispostos, Ozanam organizou a reacção, em defesa da causa de Deus, mostrando ainda que se pode ser católico e amar ao mesmo tempo a religião e a liberdade.

As escaramuças iam-se transformando em combates, como escrevia Ozanam a Falconet. Num dos principais, a turma enfrentou Jouffroy, proeminência do ateísmo, verdadeiro semeador de ruínas: as da fé e da razão. Numa aula sua atacou a Revelação. Um dos colegas de Ozanam refutou aquele disparate em carta, pois os alunos não podiam contestar o professor. Jouffroy ofereceu resposta vaga, o que levou o estudante a mandar-lhe nova carta, a que ele não ligou.

Não se conformando com o ostensivo desprezo do professor, Ozanam e companheiros redigiram um protesto em regra, que ele se viu compelido a ler perante mais de duzentos alunos, que escutaram respeitosamente aquela inusitada profissão de fé católica, e, mais ainda, (a retractação de Jouffroy, declarando que jamais pretendera desfigurar o Cristianismo, pelo qual tinha alta veneração e que iria esforçar-se, daí por diante, para não mais atacar as crenças dos alunos.

Não fazia seis meses que Ozanam iniciara seu Curso de Direito e já conseguira transformar, de modo impressionante, o ambiente da Sorbona, com os ataques à religião menos violentos e os professores mostrando-se mais moderados na sua linguagem. E o próprio Jouffroy foi amortecendo seu ateísmo militante, a ponto de afirmar antes de morrer: “Todos esses sistemas científicos não conduzem a nada!” “Mil e mil vezes um bom ato de fé cristã”

 Ozanam e seus amigos buscam formação religiosa

Ozanam permanecia atento, mas entendia ser necessário maior preparo no tocante à formação religiosa, a fim de se poder enfrentar os adversários. Recorreu, então, juntamente com os companheiros, ao Padre Gerbert, professor de Sagradas Letras na Faculdade Teológica de Paris, filósofo, teólogo, escritor e aplaudido jornalista. E os resultados foram excelentes, afirmando Ozanam que jamais ouviu doutrina mais profunda, exposta para uma assistência em que se misturavam homens célebres com jovens entusiasmados.

Apesar do êxito das conferências do Padre Gerbert, Ozanam pretendia ir mais longe, sair daquele recinto fechado para um lugar mais amplo e capaz de atrair auditório ainda maior. E foi lembrada a grande nave da igreja de Notre Dame, ideia por todos aceite. Mas faltava a aprovação do Arcebispo D. Quélen, que recebeu com agrado a sugestão, acrescentando ter o pressentimento de que “algo de grande estava em preparo”. Mas nada decidiu.

A demora do Arcebispo em resolver o assunto enervou os jovens estudantes. Resolvem fazer nova investida com petição de 200 assinaturas, entregue por Ozanam, Lallier e Lamache. A dificuldade era encontrar um orador sacro, à altura do cometimento. Vários nomes foram sugeridos, mas sem as necessárias qualidades para a importante missão. O célebre Padre Lacordaire era o candidato dos jovens, porém “certos acontecimentos impediam sua aprovação pelo Arcebispo. Assim, o melhor era esperar”.

As Conferências de História

Enquanto o Arcebispo de Paris não resolvia a realização de conferências em Notre Dame, Ozanam e companheiros procuravam manter aceso o movimento de renovação do espírito cristão. Falaram-lhes da existência da “Sociedade dos Bons Estudos”, dirigida por eminente católico, Bailly de Surcy, que estava em decadência. Mas Bailly teve a ideia de realizar reuniões na redacção do seu jornal “Tribuna Católica”, com conferências sobre literatura, história e filosofia, para elas convidando a juventude cristã.

Acontecia que a “Sociedade dos Bons Estudos” não atendia aos anseios de Ozanam, pois era um cenáculo fechado, embora admitindo alguns jovens católicos ou de certas inclinações políticas. Por sugestão. de Ozanam, Bailly transformou aquela sociedade num grupo aberto a quantos desejassem instruir-se nas variadas manifestações do pensamento contemporâneo, passando a chamar-se “Conferências de História”. Em Março de 1833, eram mais de 60, com liberdade ampla para tratar de qualquer assunto.

Vindo a participar das Conferências de História representantes e partidários de todas as opiniões e de várias religiões, os resultados das discussões tornaram-se contraproducentes, tanto mais que se multiplicavam os ataques ao Cristianismo, destacando-se Ozanam com respostas prontas, algumas pitorescas e espirituosas. Os católicos, com maiores conhecimentos religiosos e maior ardor de proselitismo, acabavam sempre vitoriosos, conquistando ainda a amizade dos adversários, pois não usavam expressões violentas.

Entre os que se alarmavam com os possíveis perigos dessa apologética juvenil, desamparada de uma direcção religiosa competente, estava o velho, sábio e prudente jornalista Picot, redactor do “Amigo da Religião” que disse ver nas discussões mais inconveniências que vantagens. Ozanam magoou-se com a observação, sobre- tudo procedendo de “pessoa venerável” , pois esperava apoio para aqueles jovens cheios de coragem na defesa da
Santa Madre Igreja. Sua consciência, porém, ficou abalada, reclamando reexame.

Reunidos os mais decididos batalhadores em casa de Lamache, ficou acertado que se tomassem medidas para evitar surpresas prejudiciais à religião. Mas os receios persistiam, tendo Le Taillandier combinado com Lallier que suas reuniões se fizessem unicamente com jovens católicos, as quais sem controvérsias e disputas, apresentariam melhor meio de realizar boas obras. Como essa mudança de direcção pudesse parecer capitulação, nada decidiram, concordando, porém, em estudar previamente as teses em discussão.

Fundação da primeira Conferência de Caridade

As reuniões continuavam cada vez mais tumultuosas, com provocações dirigidas aos católicos e repelidas por Ozanam, que, no entanto, ficou muito chocado quando um estudante, destacando o cepticismo de Voltaire, declarara: “Vocês têm razão se ficarem no passado, quando o Cristianismo fez prodígios. Mas hoje ele está morto! E vocês, que se gabam do seu Catolicismo, que fazem agora? Cadê suas obras, as obras que provam sua fé e que nos poderiam convencer?”

As palavras do colega atingiram o coração de Ozanam, obrigando-o a concordar com ele, pois só se distinguiam dos camaradas incrédulos pelo palavreado pomposo. Mas, onde estavam as obras de caridade? Como traduzir em actos a fé que defendiam? E concluiu: “É preciso imitar Jesus Cristo quando pregava o Evangelho. Fundemos uma Conferência de Caridade. Vamos aos Pobres!” E começou levando, com Le Taillandier, a um pobre, as achas de lenha que iriam queimar no inverno.

Narrando este episódio; dizia Lamache que Ozanam, com olhar triste mas cintilante, e voz levemente trémula, traduzia as profundas emoções da alma. Passando da palavra à acção, Ozanam, Lamache e Le Taillandier procuraram Bailly, a quem externaram seus intentos, recebendo apoio imediato, sugerindo, porém, que fossem consultar o Padre Olivier, pároco de Santo Estêvão. Este achou melhor, em vez de obras, realizar o ensino do Catecismo a crianças pobres. A solução não convinha.

Voltando a Bailly, os três moços explicaram que preferiam uma caridade manual, com visita aos pobres. A esposa de Bailly participava de uma “Sociedade de Boas Obras”, para ajudar indigentes. Mas entendia que aquilo era tarefa para moços. E foi lembrando disso que Bailly, grande devoto de São Vicente de Paulo, se dispôs a colaborar na organização de uma sociedade para amparar famílias necessitadas. Era preciso, porém, saber que famílias seriam visitadas.

Admitida a ideia, resolveu-se dar à organização o nome de “Conferência de Caridade”, para distingui-la da “Conferência de História”. Achou Bailly, entretanto, muito reduzido o número de quatro pessoas para as tarefas visadas. Ozanam indicou Clavé e Devaux, que aceitaram, subindo a sete os fundadores. Bailly ofereceu a redacção da “Tribuna Católica” para sede, ficando assim organizada a obra que iria ver no pobre a pessoa de Cristo, segundo o Evangelho.

Não tendo havido cuidado em registrar o dia do nascimento da Conferência de Caridade, não há certeza sobre a data de sua fundação. Por outro lado, ninguém admitiu ser apresentado como principal fundador. Ozanam apontava ora Bailly, ora Le Taillandier como “o primeiro autor de nossa. Sociedade”, enquanto Lamache entendia que ninguém merecia este título. Após o falecimento de Ozanam membros da primeira Conferência de Paris apontaram-no como a alma do movimento.

Cinquenta anos depois, Lallier, Lamache, Le Taillandier e Devaux, ainda vivos, ofereceram um Depoimento sobre as Origens da Sociedade, apontando como seus fundadores Bailly (Manuel José), com 40 anos; Lamache (Paulo), 22 anos; Clavé (Félix), 22 anos; Le Taillandier (Augusto), 22 anos; Devaux (Júlio), 21 anos; Ozanam (Frederico), 20 anos; Lallier (Francisco), 19 anos. A parte Bailly, nenhum deles pertencia a qualquer associação religiosa ou política e eram estudantes de Direito, salvo Devaux, que cursava Medicina.


sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Vida de Ozanam ( IV)

          Vida de Ozanam (IV)

A Primeira Sessão

Assentados os fundamentos da nova empresa, realizou-se imediatamente a primeira sessão, presidida por Bailly, provavelmente a 23 de Abril de 1833, após invocação ao Espírito Santo, e leitura piedosa, extraída da “Imitação de Cristo”. Adoptou-se, então, como obra fundamental a visita a famílias pobres nos domicílios, não devendo os socorros ser dados em dinheiro, mas em “vales” para desconto em determinados fornecedores. Esse plano vem sendo reproduzido até hoje, ainda que com modificações.

Aceito o programa estabelecido, cumpria encarar seu desempenho, a começar pelas reuniões e pela obtenção dos indispensáveis recursos. Estabeleceram-se sessões semanais, contribuindo cada membro com o que pudesse, sem que um soubesse a quantia dada pelo outro. Porque, afinal, o objectivo da obra, conforme Bailly, era menos de beneficência do que de moralização e de confraternização, tendo em vista os pobres e os que iam assisti-los. São Vicente de Paulo foi designado como protector.


Apoio das Filhas da Caridade

Estabelecido que os socorros às famílias assistidas seriam em “vales”, surgiram dois problemas: como escolher essas famílias e como organizar a respectiva assistência. Reconhecendo sua inexperiência no caso lembraram-se de recorrer à célebre Irmã Rosalie, Filha da Caridade, Congregação fundada por São Vicente de Paulo, e que presidia uma organização de assistência à pobreza no bairro de Mouffetard, podendo-se conseguir dela uma lista de famílias necessitando de receber auxílios.

Acontecia que Jules Devaux, aliás indicado Tesoureiro da nova obra, conhecia Irmã Rosalie, por ter sido representante da rua Epée-de-Bois junto à religiosa, cuja acção caritativa enchia toda Paris. Ela prodigalizou-lhe a melhor acolhida, encorajou a acção dos jovens, orientou-os, entregando-lhes uma lista de famílias a visitar, fornecendo também “vales” para carne e pão, visto que a Conferência ainda não emitira os seus.

As Primeiras Visitas

Escolhidas as famílias a socorrer, cada “confrade”, pois foi esse o título que se deram, trataram de pôr mãos à obra. Era de ver o entusiasmo com que se entregaram à tarefa, descobrindo verdadeiro mundo novo de confraternização cristã. Em contacto com o sofrimento e as misérias humanas, aqueles jovens passaram a compreender melhor o valor da caridade bem ordenada e as palavras de Cristo fazendo do amor ao próximo um Novo Mandamento.

A Ozanam coube assistir um caso de miséria moral acima da material: uma infeliz mulher se matava no trabalho para sustentar cinco filhos; seu companheiro, chegando em casa embriagado, tomava-lhe o dinheiro e ainda batia nela e nos meninos. Ozanam conseguiu separá-la, pois não eram casados, obteve meios para que ela voltasse ao interior com dois filhos, empregando os demais nas oficinas de Bailly. Era a assistência total, exemplo do futuro papel das Conferências.

Audiência com o Papa Gregório XVI

Por iniciativa de seu pai, Ozanam passou as férias de 1833 na Itália, medida prejudicial aos intentos da família, que era vê-lo formado em Direito, enquanto a visita aos centros culturais italianos mais aumentaria no jovem a atracção pela Literatura. O Papa Gregório XVI recebeu João Antonio Ozanam e os dois filhos em audiência particular, apresentados pelo Cardeal Fesch, Arcebispo de Milão. Ao regressar, Ozanam muito sofreu, impedido de seguir sua vocação.

Dedicação ao Curso de Direito em respeito aos pais

Voltando à França, os estudos de Direito o aguardavam, juntamente com os exames para licenciatura como advogado. Era um passo decisivo. Seu pai e sua mãe nem de longe queriam que ele se formasse em Letras,
coisa sem futuro, diziam eles. Por isso o jovem reafirmou, em carta à mãe, juramento de fidelidade ao Curso Jurídico. Apenas pedia que permitissem a consolação de um pouco de literatura para, ao menos, adoçar as amarguras da jurisprudência.

Diante desse juramento, Ozanam empregava oito horas diárias, excepto aos domingos, no estudo do Direito. Ao mesmo tempo frequentava cinco cursos da matéria, praticando ainda advocacia. Via nisso uma loucura, pois sua vontade era escrever sobre outras coisas que não assuntos forenses e não pensar em assuntos de cartório. Ainda dava graças a Deus por lhe permitirem, com a advocacia, praticar a oratória, o que lhe facilitava cultivar a literatura, “mãe da eloquência”.


Apesar de tudo, a escolha de uma carreira o torturava. Ainda chegou a pensar em acumular a advocacia com a literatura. Se pudesse preferir esta, faria o “apostolado das letras, pela pena e pelo ensino. Aliás, de toda parte vinham confirmações a favor das letras, como solicitações para artigos de jornais, reuniões intelectuais, conferências sobre literatura. Não seria tudo isso manifestação da vontade de Deus? Mas a decisão da família estava do outro lado.