«Somos chamados ao trabalho desde a nossa criação. Ajudar "pessoas em situação de pobreza" em dinheiro, deve ser sempre um remédio provisório. O verdadeiro objectivo deveria ser sempre consentir-lhes uma vida digna através do trabalho» Laudato Si: página 88.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

185 anos de mãos dadas

     Recentemente publiquei por aqui, uma das Recomendações para ser um bom presidente,  das Crónicas Vicentinas do Presidente do CGI, talvez seja bom reforçar agora o papel do presidente nas conferências que trabalham em equipa nas próprias conferências, numa altura que vamos recordar no dia 23 de abril em 2018 o que aconteceu à 185 anos aqui fica o que se deu à 185 anos.
          Há 185 anos, no dia 23 de abril de 1833, um grupo de leigos franceses católicos, devotos e visionários, reuniu-se para fundar a primeira “Conferência de Caridade”, anos depois conhecida como “Sociedade de São Vicente de Paulo”. O que motivou aqueles homens de fé foi a prática da caridade, a santificação pessoal, a amizade entre eles e a construção de um mundo mais justo, baseado nos valores do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

     Em poucos anos, a entidade nascente crescia rapidamente dentro da França, vindo a atingir outros países da Europa e do mundo. Atualmente, a SSVP está presente em 153 países ou territórios, reunindo 800.000 membros e mais de 1 milhão de voluntários, ajudando a 30 milhões de pessoas por ano. Aquela primeira Conferência (Saint-Étienne-du-Mont) transformou-se em 50.000 novas “comunidades de fé e de serviço”. Um verdadeiro milagre de Deus operado pela intercessão dos nossos fundadores! A Igreja também, por meio de diversos Breves Papais, conferiu amplo reconhecimento institucional à SSVP, em diversas oportunidades.
  Todos nós, vicentinos do Século XXI, precisamos estar conscientes de que, com a graça de Deus, o trabalho que realizamos, embora bastante discreto, é muito efetivo e tem gerado inúmeros frutos para as pessoas socorridas. São incontáveis os benefícios proporcionados a milhões de seres humanos necessitados, que contam com a mão amiga vicentina para continuar a superar os desafios da vida. Nem sempre percebemos a importância e a relevância que a ação caritativa da SSVP exerce no mundo.
     Vale, aqui, mencionar algumas palavras de estímulo que o 1º Presidente Geral, Emmanuel Joseph Bailly de Surcy, incluiu na introdução da Regra de 1835, as quais eu muito aprecio: “Os sentimentos de fraternidade entre os confrades converterão os nossos corações num só coração, e todas as nossas almas numa única alma (“cor unum et anima una”), e isso tornará mais querida a nossa Sociedade fraterna. Ainda que amemos muito a nossa humilde Sociedade, temos que saber que ela é uma obra nascida pela misericórdia de Deus”.
     Eu não poderia terminar essa reflexão sem mencionar as vicentinas e os confrades já falecidos nestes 185 anos de existência da SSVP. Recordamos respeitosamente a sua memória, e a eles dirigimos uma oração amorosa, pois os nossos predecessores que já se encontram na Casa do Pai fazem parte da “Conferência Celestial”, e seguem intercedendo por nós aqui na Terra. É por isso que nossa SSVP pode ser considerada uma verdadeira “escola de santidade”, uma vez que já temos cerca de 50 membros em processos de canonização em diferentes etapas, entre eles o bem-aventurado Ozanam.
     Na condição de 16º Presidente Geral, e em nome da direção internacional, gostaria que essa mensagem chegasse a todos os vicentinos do mundo, felicitando-os pelos relevantes serviços prestados à humanidade, à Igreja e à sociedade civil. Mantenham-se firmes na fé, na caridade e na esperança, sempre em unidade com o Conselho Geral, que é o guardião da Regra e das origens da nossa Sociedade.
Que Deus continue nos cumulando de bênçãos e que a Virgem Maria nos proteja de todos os males. Muito obrigado, Ozanam, Bailly, Lallier, Clavé, Le Taillandier, Lamache e Devaux! Obrigado, irmã Rosalie Rendu! Parabéns a todos os vicentinos do mundo. Viva a França! Viva a SSVP!
Cfd. Renato Lima de Oliveira
16º Presidente Geral

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