«Somos chamados ao trabalho desde a nossa criação. Ajudar "pessoas em situação de pobreza" em dinheiro, deve ser sempre um remédio provisório. O verdadeiro objectivo deveria ser sempre consentir-lhes uma vida digna através do trabalho» Laudato Si: página 88.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Recomendações para ser um bom presidente

"Deus capacita os escolhidos"

Muitos vicentinos e vicentinas, quando são eleitos para ocuparem cargos na estrutura da sociedade de São Vicente de Paulo, ficam preocupados se darão conta do recado, muitas vezes se consideram incapazes não preparados para tal missão. Não podemos nos esquecer, contudo, daquela breve frase dita por São Vicente de Paulo, nas cartas que escrevia para os membros da Congregação da Missão e das filhas da caridade: «Deus capacita os escolhidos».
Para refletir sobre o tema, selecionamos duas passagens na Bíblia em que Jesus deixa uma espécie de “receita” para todos aqueles que venham ocupar funções no serviço religioso e, porque não dizer também, no serviço vicentino. É uma mensagem especial para todos os dirigentes vicentinos, desde o presidente de Conferência, passando pelos presidentes de Conselho e de Obras especiais, chegando até o cargo mais destacado na estrutura; a de presidente geral internacional.
No Evangelho de São Lucas, capítulo 22, surgiu uma discussão, entre os discípulos, sobre qual deles seria o “maior” perante os olhos de Cristo. O mestre, paciente, assim se expressou: “Os reis dominam como senhores e exercem sobre eles autoridade. Entre vocês não sejam assim: quem quiser ser o maior, que se torne o último; e o que governa, que seja como o servo”.
Noutra passagem, no Evangelho de São Mateus, capítulo 18, perguntaram novamente a Jesus: “Quem é o maior no reino dos céus?”. O Salvador apontou para uma criança, que estava ali perto e disse: “Se não se converterem e não se fizerem como meninos, de modo algum entrarão no reino dos céus. Portanto, aquela que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus”.
Nessas duas passagens das Sagradas Escrituras, encontrarão os três elementos para quem está ocupando funções consideradas social e humanamente “importantes” dentro da estrutura ou da hierarquia eclesial ou religiosa; a humildade (quando Jesus disse “torna-se o último…”); o serviço (quando Jesus disse “seja como o servo…”); e a pureza (quando Jesus disse “sejam como crianças…”)

Vamos meditar um pouco sobre essas três virtudes. A humildade é o cartão de visitas de todo dirigente vicentino. Quando se apresenta, por exemplo, uma proposta de projeto, temos que ser humildes e ouvir a opinião dos demais membros do Conselho, buscando a unidade. O serviço (desinteressado) é a principal caraterística dos dirigentes vicentinos. Ele o faz não em busca de autopromoção, mas em benefício da entidade que preside e das Pessoas em situação de pobreza. Faz-se as coisas pensando efetivamente nos outros e, nunca com fins políticos. Já a pureza, que neste caso significa simplicidade, é condição fundamentar para conduzir um grupo tão grande como o nosso. É ter caridade, acima de tudo, nos atos que irá propor, para que as decisões a serem tomadas sejam consideradas consensuais, sempre buscando a melhoria contínua.
Na nossa ótica, para ser um bom presidente, deve-se possuir essas caraterísticas, E nunca se esquecer da recomendação que São Paulo prescreveu a Timóteo, que também serve para todos nós, hoje em dia: “Guarda o teu mandato íntegro e sem manchas; procura a justiça e a mansidão; combate o bom combate” (ITm 6, 11-16).
Deixamos, agora, uma pergunta para reflexão na Conferência: na sua opinião, quais são as virtudes mais importantes para que um vicentino possa, após ser eleito presente, desempenhar os encargos administrativos com eficácia e em benefício das Pessoas em situação de pobreza?
Crónicas vicentinas IV - CGI Renato Lima


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