"Eu gostaria de abraçar o mundo inteiro em uma rede de caridade"
António Frederico Ozanam

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Modelo Família Vicentina: - São Vicente de Paulo

O Conselho de Zona Gaia Norte, num contexto formativo e de espiritualidade vicentina, leva a efeito a publicação e biografias resumidas, de vários vicentinos, uns fundadores outros seus devotos seguidores da SSVP, que ao longo dos anos deram o seu testemunho de vida vicentina mostrando à sociedade por onde passaram e acima de tudo o seu testemunho de vida vicentina em prol dos mais desprotegidos e, que teve como seu fundador; S. Vicente Paulo. A árvore genealógica que disponho em escritos, vai desde as datas de nascimento até datas de falecimento - 1581 a 1980.
Quem estiver interessado nestas narrações biográficas podem acompanhar este blogue a partir da primeira publicação, que vou tentar terminar, até ao Dia da S.S.V.P., a ter lugar a 25 de Outubro de 2015, no Salão Paroquial de São Cristóvão de Mafamude e organizado pelos dois conselhos de Zonas da Vigaria de Gaia Norte e Sul. 

 "... Temos Conferências em Québec e no México. Temo-las em Jerusalém. Há com certeza uma conferência no paraíso, pois há mais de mil dos nossos, desde há vinte anos que existimos que tomaram o caminho duma vida melhor"
                                                                                   (Da última carta de Ozanam escrita ao R. Pº Pendola em 19 de Julho de 1853,sete semanas antes da sua morte)                                                                                     


 São Vicente de Paulo
       (1581 - 1660)

  Ozanam quis colocar as conferências sob o patrocínio de S.Vicente de Paulo: «modelo na terra, protector no Céu».
Foi nas Landes, em Pouy, nos arredores de Dax, que nasceu a 24 abril de 1581 o jovem Vicente de Paulo terceiro dos seis filhos de modestos lavradores.
Dos longos dias passados no meio da natureza, na guarda de rebanhos, lhe veio o gosto da solidão e do reconhecimento.
  A inatâncias do pároco e do juiz, impressionados com a viva inteligência de Vicente, mandou-o o seu pai para o colégio em Dax, onde fez rápidos estudos e se definiu a sua vocação.
  Ordenado em 1600 com vinte anos incompletos, torna-se sucessivamente capelão de Margarida de Valois, Pároco de Clichy,que transforma em paróquia modelo e preceptor na família de Filipe Manuel Gondi, general das galés, ao qual acompanha nas suas deslocações: verifica então o que é a miséria dos lavradores e a insuficiência do clero rural e daí lhe nasce o sentimento de necessidade de evangelizar os meios rurais.
  É nomeado pároco de Chatillon-les-Dombes, aldeia moralmente abandonada, numa igreja deserta, com uma população miserável, sob a influência protestante. Em pouco tempo tudo está transformado, moral e materialmente, prestando-se a população a auxiliá-lo. Funda então a primeira «Confraria de Caridade» destinada a «ajudar o corpo e a alma a bem morrer ou a bem viver».
  De novo em casa dos Gondi, que o reclamam, põe em pé a Congregação a Missão, destinada a evangelizar aldeias, a qual em pouco anos cobre grande parte do solo da França. A completar a acção das Missões, desenvolve as Confrarias de Caridade, para o que pede a colaboração de Luísa de Marillac, que com ele colaborá até à morte e recruta as Damas de Caridade.
  Entretanto, como capelão das Galés, Vicente de Paulo toma contacto com as prisões, verdadeira imagem do inferno e consegue melhorar a sorte dos desgraçados presos, transferindo-os para lugar habitável, organizando visitas e socorros, tanto materiais como morais.
  Para assegurar permanência nos socorros aos deserdados, instituiu as «Filhas da Caridade», origem das «Irmãs de S. Vicente de Paulo».
  Ao mesmo tempo dedica os seus esforços à espiritualização do clero: daí nascerem, em diversos seminários, os «exercícios dos ordinandos» e também as «Conferências das Terças-Feiras», destinadas aos futuros Bispos, frequentadas, entre outros, por Bossuet, que a Vicente de Paulo aplicava o dito do Apóstolo: «Se alguém fala, que as suas palavras sejam as palavras de Deus».
  Junto de Luís III, de Ana de Ástria, de Richelieu e de Mazarino, desenvolve notável acção na escolha de superiores eclesiásticos e a sua actividade torna-se prodigiosa para acudir a todos os males: cria o orfanato, instrução, aprendizagem e colocação de crianças expostas; organiza um vasto socorro às províncias devastadas pela guerra, vencendo a fome, as epidemias e levantando ruínas.
  Inteligência fulgurante, que lhe apresenta a raiz do mal a combater, vontade firme e privilegiado espírito de organização; tudo isto ao serviço dum coração a transbordar de amor fraterno, constitui o mais admirável exemplo terreno da «Caridade nas Obras».
  Falecido em 27 de setembro de 1660, foi canonizado em 16 de Junho de 1737, vindo a ser proclamado por Leão XIII patrono das obras de caridade.
  Tal a figura do extraordinário santo a quem Ozanam foi buscar para patrono e modelo das Conferências, que são instadas a imitar o seu amor ao próximo e o seu zelo eminentemente operoso, com raiz na mais intensa piedade.    
        

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