"Eu gostaria de abraçar o mundo inteiro em uma rede de caridade"
António Frederico Ozanam

segunda-feira, 5 de maio de 2014

A sobriedade a partir da família

Com certeza que aos vicentinos já lhes depararam nas visitas a casa dos nossos assistidos além de existir pobreza existe outra forma de vida que nos queixamos que há um mau governo. Nós vamos constatando muitas vezes que este mau governo de pode dar por desavenças familiares, pelos desemprego e muitos vezes talvez devido não ter trabalho. Deparamos que as famílias não sabem gastar o seu dinheiro, quando recebem o seu rendimento mensal, gastam-no logo nesses dias a seguir nos café alimentando-se sabe se lá o quê!...
A nós vicentinos não seria um bom serviço de vicentino, quando se nos depara um pedinte na rua, discretamente dirigirmos-nos a ele, falando, perguntando onde mora, quais as suas dificuldades, porque é que anda a pedir?
Nós, vicentinos os melhores preparados, não seríamos mais oportuno em vez de escorraça-lo, incrimina-lo, dizendo às vezes que até parece mal, (como que pedir seja um mal, um pecado) e ajuda-lo, tentar saber o seu problema!.. Pessoalmente custa ver alguns com responsabilidade na sociedade, olhem para o pobre de solaio a ver se o que está a fazer ou se ele vem logo a seguir, incomodá-lo!..  Depois deste pensamento não resisto em lançar algumas frases em tom de desafio e para isso vos deixaria partes de um texto escrito pelo Cardeal Dionigi Tettamanzi-Milão.

Escola doméstica.

Em primeiro lugar, é na família que se educa a sobriedade e a solidariedade: praticando-a isto é, inscrevendo-a na vida quotidiana nas palavras que se dirigem a outras pessoas queridas. A família! Com efeito, a família é a primeira escola de solidariedade. Porque é o lugar original onde as «ligações fortes» são palpáveis, vive-se e aprende-se: comunica-se, testemunha-se e transmite-se de um para o outro, numa espécie de competição mútua. (mais adiante refere o autor): em família, a solidariedade – antes mesmo de se saber pronunciar a palavra ou de se saber elaborar reflexões pessoais sobre ela – é vivida e aprendida a partir das formas espontâneas de convivências.

Família e sociedade.

Esta acção educativa pela família é-lhe própria e necessária, não só por um estilo «interno», mas sobretudo para evitar que a sociedade seja estruturada como um conjunto de muitos indivíduos. (note-se, pessoas de muito cedo, foram levadas para fora do seio da família para trabalhar e de certa forma, moldadas (…), ao seu jeito, por outros não familiares, alguns senhores de outra classe sociedade), onde nela em alguns casos pessoas predominantemente do interior. «A família ainda se apresenta como sujeito educativo de primeira importância». Nela aprende-se a acolher e a fazer crescer a vida; nela, somos formados para os valores fundamentais do viver social; a soca alibilidade, a comunicação, o diálogo, o confronto, a gratuitidade, o serviço, o desapego, a partilha, a solidariedade, a educação da consciência moral, a abertura aos ideias mais altos.

Família e sobriedade

Também nas nossas paróquias, são cada vez mais as pessoas que se apresentam em estado de pobreza: uma pobreza súbita, que não foi escolhida e que tem pouco de evangélica. São situações que surgem por alterações das condições pessoas (perda ou redução do trabalho, aparecimento de dificuldades, como doença, ruptura das ligações familiares) ou, então e não raramente, por má gestão dos recursos económicos. Muitas pessoas contraem dívidas por causa de bens ou consumos secundários, digo (aconteceu), comprometendo assim a possibilidade de corresponder adequadamente às suas exigências básicas.

Opções de solidariedade na família: a habitação

A solidariedade vive-se e aprende-se na família, mas também a família necessita de algumas formas concretas de solidariedade. Como poderá a família cumprir a sua missão se, por exemplo, não puder dispor de uma habitação adequada às suas exigências a preços acessíveis? Neste campo, têm uma tarefa muito concreta as instituições locais chamadas a realizar projectos de construção popular, a incentivar o contributo cooperativista, possibilitando com boas condições a disponibilidade de terrenos autárquicos onde se possa construir. Sabemos que a casa é cada vez mais considerada pelo mercado e não um bem primário fundamental para a família. Como cristãos e como paroquianos devemos interrogar-nos: não teremos aqui a oportunidade de oferecer um grande testemunho? Manter uma casa vazia não será roubar a morada a uma família que dela precisa? Não será, porventura, uma tentação manter um alojamento devoluto à espera que as rendas aumentem, que daqui a uns anos um filho de case ou – até quem sabe? – de alguma necessidade futura da paróquia?... Com certeza, exigindo as devidas garantias e a justa compensação económica, não podemos sentir-nos chamados a agir contra a corrente? Fim.
Espero que todo, o vicentino de alguma maneira possa ser útil e contribuir para que muitos aspectos aqui focados tenham resolução para quem dela tem necessidades.
Ficamos todos convidados a agir: Sejamos mais solidários com sobriedade...  
São Vicente de Paulo muitas vezes era apedrejado a caminho da sua nova paróquia, mas caminhava e achava que as pedras eram coisas menores. O mais importante era socorrer o pobre, mesmo que fosse sujeito a zombarias por parte de elites ditas feudais, se riam dele mas que mais tarde vieram a reconhecer que ele era, é o pai dos pobres!


  

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