«Somos chamados ao trabalho desde a nossa criação. Ajudar "pessoas em situação de pobreza" com dinheiro deve ser sempre um remédio provisório. O verdadeiro objectivo deveria ser sempre consentir-lhes uma vida digna através do trabalho» Laudato Si: página 88.

quarta-feira, 14 de março de 2018

“ O stress da pobreza e o papel do vicentino como defensor ”


Quando realizamos a nossa visita a uma família que lhe chamaria "família em situação de pobreza", verificamos que a pressa é muita em nos despacharmos "talvez para não ser maçador ou porque nos deixamos enrolar pela pressa diária ou ainda deixamo-nos dominar pelo stress”. Mas a questão não é tanto a nossa pressa, o virar costas mas, há outra causa que é o de tentarmos resolver uma situação ou várias situações de injustiça. 
Nas visitas, em muitos casos, verificamos que existem diversas necessidades e aí talvez precisássemos de fazer uma paragem quando nos apercebemos que temos um caso difícil para resolver. Podemos pedir ajuda - porque não entrar numa igreja em silêncio apresentar o problema e deixar que Deus nos fale? Talvez consigamos encontrar uma solução. Esta confiança total em Deus é espelho da nossa fé. Se é pouca não fazemos essa paragem para deixar que Deus ilumine a nossa mente e nos guie. Às vezes a vontade de ajudar pode ser tanta, que nos esquecemos de colocar Deus no centro dos nossos actos.
Se fizermos a experiência de pararmos, fazer como nos deixou na sua mensagem aos vicentinos recentemente o Papa Francisco – “Ver, Julgar e Agir” – ficaremos melhor preparados para a nossa missão. E como disse o fundador da Sociedade S. Vicente Paulo o beato Frederico Ozanam, que reconheceu, implicitamente, que a pobreza não era uma questão simples quando nos dizia: «não devemos contentar em afastar as "pessoas em situação de pobreza". Frederico, especificamente, exortou, no seu tempo, e que podemos transportar para o presente século, que devemos «estudar a sua condição e as injustiças que provocam tal pobreza, com o objetivo de uma melhoria a longo prazo», veremos a imensidão de perspectivas de trabalho dos vicentinos.
Os nossos melhores-amigos, ou os Pobres, (palavra que se devia optar por deixar cair por terra pelo abuso da palavra) são como nós. Pobreza sim, porque pobres somos todos nós, porque como servos de Jesus Cristo deveríamos identificarmo-nos com Ele e viver na Pobreza.
Algumas pesquisas na internet em vários estudos, apontam que o «stress acumulado da pobreza», é a causa ou a razão pela qual as famílias na pobreza tendem a permanecer na pobreza. Jack Shonoff Professor da Universidade de Harvard, de Saúde Infantil e Desenvolvimento, escreve uma extensa pesquisa sobre a biologia de stress e mostra que o desenvolvimento saudável da criança pode ser descarrilado por ativação excessiva ou prolongada de sistemas de respostas ao stress no corpo e no cérebro. Esse stress tóxico pode ter efeitos prejudiciais sobre a aprendizagem, o comportamento é a saúde ao longo da vida. Deixo acesso através de um link a seguir sobre este problema de: stress tóxico para consulta).
 Mas não queria deixar de referir aos queridos vicentinos, numa primeira fase de ideias - o que podemos fazer para diminuir a pressão sobre o combate à pobreza?
 Quais são os meios de aceitação por parte de alguns setores da sociedade para colocar o problema em cima da mesa e discutir!
Da nossa parte, o conselho, entendemos que o acesso à informação pode ajudar-nos no estudo que assenta em três princípios: parar para pensar; rezar a Deus que nos dê discernimento de ideias, no coletivo, no nosso meio, na comunidade onde estamos inseridos e passarmos a Ação. Passar à ação é o passo mais difícil, mas não pode ser de outra maneira e só é possível “atuar” se for na forma de equipe, não de forma isolada Tenho tido algumas vezes dificuldade em “Desempacotar a visita ao domicílio” e  devemos, sempre,  “IR” a dois. Lembremo-nos como fazia Jesus Cristo quando calcorreava as terras áridas, para chegar a todos.

Jesus tinha uma visão revolucionária para o seu tempo: «nunca ia sozinho» ia sempre acompanhado. Nós vamos muitas vezes sós e muitas vezes não anotamos os problemas, as duvidas, as tristezas as alegrias que nos deixam os nosso melhores-amigos.

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