«Somos chamados ao trabalho desde a nossa criação. Ajudar "pessoas em situação de pobreza" com dinheiro deve ser sempre um remédio provisório. O verdadeiro objectivo deveria ser sempre consentir-lhes uma vida digna através do trabalho» Laudato Si: página 88.

sexta-feira, 30 de março de 2018

Como atacar as reais causas da miséria?


Por ocasião da Assembleia Geral Vicentina em Paris, na celebração da fundação dos 15 anos da SSVP, na altura o presidente geral (Adolphe Baudon), que se encontrava em recuperação por ter recebido um tiro durante a Revolução Francesas de 1848 e que depois acabaram de lhe amputar uma das pernas, pediu a António Frederico Ozanam que prepara-se um discurso para ser lida em assembleia o cofundador da SSVP, apresentou o seu pensamento social. Segundo nos conta Renato Lima nas suas crónicas vicentinas, Ozanan aborda vários temas entre ele não se esqueceu do apoio recebido do clero para o crescimento da ação vicentina. Da mesma maneira endereça aos assessores espirituais das Conferências considerando-os fundamentais no dia a dia da SSVP.
Numa parte do texto, Ozanan fala sobre a importância das contribuições económicas das Conferências aos conselhos, afirmando que “quanto mais as doações crescem, mais as atividades vicentinas se multiplicam” permitindo assim, que mais pobres passassem a ser assistidos.
Enfatiza as necessidades dos mais carentes, as contribuições são importantes para o serviço. O desemprego, a fome, o frio e ouras carências são elevadíssimas e elenca no discurso, a caridade nas conferências vai aliviando esses sofrimentos.
Estamos a falar no seculo XIX mesmo assim algumas questões dirigindo-se aos mais jovens recém-ingressados na SSVP, refletindo sobre o papel social empreendido pelos confrades, ele instigava os aspirantes, “como aliviar a miséria sem remover suas causas? ou “como regenerar o mundo e erradicar o mal? Ainda hoje provoca indagações em nossa reflexão mais critica.
Diz mais adiante nesta reflecção espiritual, a importância da esmola. Ozanan foi contundente ao dizer que a esmola é importante e consiste numa ação que deveria ser praticada por todos.  “A esmola não é um direito de ninguém, mas um dever para todos”. Para ele, a justiça social se soma à caridade e as pessoas que têm muito deveriam ser mais generosas com os que tem menos. Na verdade, Ozanam nos diz, nós vicentinos, seremos sempre “devedores dos pobres”, eu preferia também chamar-lhes; “pessoas em situação de pobreza”.
Ozanan antecipando-se à DSI, diria: “É muito pouco aliviar as tristezas dos indigentes. Devemos pôr as mãos nas raízes do mal e por meio de sábias reformas, diminuir as causas reais da miséria, acrescento; encurtando as distâncias dos males.
Eu estou de acordo com os seus pensamentos e para tal basta lembrar em Portugal também alastrar distâncias na pobreza. Dados do INE dezembro de 2015 “Um em cada cinco portugueses é pobre”.
 Mais de 2,2 milhões de pessoas vivem nessa altura, em risco de pobreza, embora com redução de 425 mil pessoas face a 2014.
Existe outro estudo em maio de 2017 que “Quase 2,6 milhões de portugueses vivem em risco de pobreza” Os números no inquérito às Condições de Vida e Rendimentos feitos pelo INE que contou 2,595 milhões de pessoas, entre as quais 487 mil com menos de 18 anos e 468 mil com mais de 65, em ressico de pobreza.
Caros vicentinos, vocês perguntam a si próprios; como é possível este alastrar da pobreza quando vemos e ouvimos quando acompanhamos nas notícias que os capitalismos dos homens de negócios, as suas riquezas passam todas por Empresa_offshore., homens de negócios a contas com a justiça, livres e sem culpa formadas. No entanto, os bancos para poderem vender as suas empresas, “tornando-se numa espécie de adeleiros-de-capitais”, vão rescindindo contratos de trabalho, colocando no desemprego centenas de milhares que depois caem mais tarde nas malhas das instituições da solidariedade ou das suas famílias comprometendo, muitas vezes as fracas reformas dos seus pais.
Como é possível sim falarmos de Doutrina Social da Igreja que, apontam muitos males da sociedade, procurando pôr-se ao lado das pessoas sim, é uma verdade mas, não sai de apontamentos às crises dividindo-as em duas grandes etapas da história: Desde a Encíclica do Papa Leão XIII de maio 1891, passando pelo Concílio Vaticano II 1965 até hoje.
Isto não vai lá com apontamentos de sebentas, mas vai com medidas politicas por políticos sérios e por uma sociedade civil cristã séria, no combate “sem armas”, mas das palavras, da razão. O Cristão do século XXI, tem o dever a obrigação de apontar os caminhos possíveis que se podem ter a sua realização no mercado do trabalho, na família, na educação.
Você o que acha ser necessário como atacar as distâncias das reais causas da pobreza?
O que poderá fazer dia-a-dia no seu bairro por se interessar pela defesa do mundo do trabalho, será com acusações sem apontar metas mesmo que sejam criticáveis.
Como vicentino, o que pretende fazer com os assistidos em acompanha-los e, ajuda-lo para na procura de trabalho ajudando a desensarilhar-se das causas possíveis de pobreza?
Manda-os trabalhar!...

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