"Eu gostaria de abraçar o mundo inteiro em uma rede de caridade"
António Frederico Ozanam

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Vida de Ozanam (XII)

Governo francês faz apelo aos vicentinos para que socorram as famílias desamparadas pela revolução.

A revolução, com a pilhagem e os incêndios, desencadeara a miséria e a fome entre a, população pobre. O Governo fez um apelo aos vicentinos para que se ocupassem dos socorros às numerosas famílias desamparadas, “levando-lhes auxílios para salvá-las da fome e boas palavras que lhes acalmassem o furor e as afastassem do desespero”. Embora advertidos de que poderiam ser recebidas as balas, centenas de vicentinos se apresentaram, sendo desde logo atendidas 2.500 famílias.

A acção dos vicentinos havia sido muito proveitosa, tanto no tocante à assistência material como moral. O representante do Governo, Dr. Trelat, conhecido anticlerical, assim manifestou seu agradecimento: “Os vicentinos mataram a fome dos que agonizavam na miséria, acalmaram suas almas irritadas, fizeram renovar a confiança e a esperança nos seus corações cheios de cólera e desespero”. Outro angustioso apelo surgiria: A cólera se abatera sobre Paris, sendo os vicentinos convocados para assistir os pestosos.

A luta contra a cólera abre portas para a religião

A bravura cristã dos vicentinos durante a epidemia de cólera foi espectacular. Como disse Ozanam, eles enfrentaram “um povo dizimado, uma administração desorganizada, uma ciência apavorada. No entanto, com grande sabedoria, sem comparar sua fraqueza à grandeza do perigo e das necessidades, colocados à disposição das Irmãs de Caridade e das ambulâncias médicas, cuidaram de mais de dois mil doentes em dois meses, três quartos dos quais escaparam; os que morreram receberam os sacramentos da Igreja”.

Passada a tormenta, milhares de famílias recobravam seus entes queridos curados, externando sua admiração e reconhecimento por aqueles jovens vicentinos, que, contrariando seus parentes, tudo deixavam para cuidar dos pestosos. E não ficou só nisso a caridade vicentina: ofereceu e conseguiu lares para milhares de órfãos, cujos pais a peste havia tragado. E o melhor é que a fé renascia sob o manto da Caridade, e a Religião via abertas portas antes fechadas.

Ozanam desenvolve publicações para formação social e religiosa

No turbilhão de todos aqueles acontecimentos, Ozanam ainda achava tempo para trabalhar no campo da imprensa, fazenda circular em 15 de abril de 1848, o jornal ERA NOVA, secundado pelos padres Lacordaire e Maret. Propunha-se defender a Religião, a República nascente e a Liberdade. E afirmava que “não havendo mais o constrangimento das trincheiras nas ruas, iria apresentar verdades que deixaram de ser perigosas quando antes eram utilizadas apenas pelos maus, para enfeitar seus fuzis nas barricadas”.

O ano de 1848 exigira de Ozanam trabalhos os mais árduos, tanto no campo material como no intelectual. Dirigindo as actividades da Sociedade de São Vicente de Paulo, enfrentara a assistência a 200 mil desempregados, aos famintos, aos pestosos. Desenvolvia publicações populares para formação social e religiosa e se esforçava para multiplicar conferências tanto na França como no estrangeiro. A ERA NOVA tomava “todo o tempo que sobrava dos exames”. Ozanam não desperdiçava tempo.

O Partido da Confiança

A pretensão de Ozanam era assegurar “à Igreja lugar no triunfo da Democracia, chegando mesmo a criar um movimento chamado Partido da Confiança. Como tal pretensão seria mais acessível com representantes na Assembleia, o nome de Ozanam foi lembrado. Ele recusou, alegando não ser homem de acção nem de comícios.

Mas, de Lião, veio um apelo patético, e Ozanam acabou aquiescendo. Isto nas vésperas do pleito, obtendo ainda 16 mil votos, insuficientes, porém, para eleger-se.

Ozanam encerra as actividades do Jornal Era Nova

Era infalível que as directrizes apontadas na ERA NOVA descontentariam muitos católicos. O revide partiu do órgão católico UNIVERSO, dirigido pelo eminente batalhador, mas ferrenho tradicionalista Luis Veillot, acusando Ozanam de tomar falsos rumos. Chamava a ERA NOVA de “Erro Novo”.

Com seu jornal, abençoado, aliás pelo Arcebispo, Ozanam desejava apenas unir os católicos. Daí preferiu fechar a folha. em Abril de 1849, declarando: “entre cristãos o mais prudente é não odiar por questões tão controvertidas”.



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