"Eu gostaria de abraçar o mundo inteiro em uma rede de caridade"
António Frederico Ozanam

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Uma Grande Caridade! Realidade hoje.


São Vicente de Paulo ou Senhor Depaul, como gostava de ser conhecido e assinar os seus escritos numa carta dirigida a Luísa de Marillac , com data de 21 Julho em 1635, Vicente diz ter sido objecto de escárnio quando apresentou um projecto para solucionar o problema dos pobres em Mâcon. 
Na verdade toda a cidade contava com umas centenas de mendigos. Vagueavam pelas ruas, assustavam as mulheres e crianças, pediam esmola e de vez enquanto aproveitavam uma distracção dos comerciantes para roubar comida e outras na defesa da sua subsistência. Além de mendigos havia um sem número de famílias que, por vergonha, ocultavam o seu estado de miséria e muitas delas trabalhavam como escravos, recebiam um salário miserável mas sujeitavam-se a trabalhar para sustentar as suas famílias. Gentes que sofriam em silêncio. 

Os problemas dos pobres, a instabilidade social a eles estava associada, exigiam uma solução pois a pobreza atingia de tal forma que teve como necessário, apresentar um projecto às autoridades locais, magistrados, clérigos e comerciantes que o julgando de excessivo, por crer acabar com a mendicidade, para além de o julgarem como um clérigo arrogante e de mau feitio, todos se riam dele. Determinado, em primeiro lugar efectua um levantamento do número de homens e mulheres que faziam da rua, as suas próprias casas e da mendicidade uma profissão. Esse número atingiu 300 almas. Foi aqui que fundou duas Confrarias da Caridade: uma para homens, outra para mulheres. Como é normal em qualquer cidade havia a preocupação restabelecer a ordem pública. Nasce os estabelecimentos chamados Hospitais Gerais, que diga-se em boa verdade pouco dignas pois se assimilavam a uns armazéns, sem condições, onde as autoridades depositavam os indesejados da sociedade; pobres, mendigos, vagabundos, prostitutas, ladrões, doentes entre outros. Depois do levantamento que referi acima, S. Vicente, recebia algum dinheiro de pessoas abastadas e ao domingo, depois da Missa, distribuía pão, dinheiro e no inverno, lenha. Aos pobres viajantes, cuidava de oferecer um lugar onde pernoitar, preocupando-se que pela manhã houvesse qualquer coisa de comer. Algumas vezes completavam com algum dinheiro aos trabalhadores o que ganhavam, mal dava para o sustento da família. Uma vez por semana reuniam-se, era feita uma actualização na lista os casos que eram resolvidos e outros casos eram atribuídas, castigos, a quem não cumprissem com o regulamento.  

S. Vicente, conseguir com os resultados da Grande Caridade, aqueles que o escarneciam dele no princípio, comovidos choravam de alegria. S. Vicente, no dia que se despediu da cidade e incomodado e pouco habituado a esse tipo de comentários viu-se obrigado a sair da cidade às escondidas. 

Apraz-me registar aqui e agora, os problemas do século dezassete não são muito diferentes dos de hoje. Embora haja a considerar no nosso século, esteja mais justo mas não deixa de haver os pobres que se escondem de vergonha, trabalhadores precários, muito desemprego que logo gera desigualdades sociais, (mesmo que os nosso governantes queiram contrariar), começa a surgir famílias que fazem da rua a sua casa para dormir e, começam a socorrerem-se das instituições por um prato de comida. E a educação! A saúde! Surge alguns resultando de casos divórcios combinados para fugirem aos impostos! 

Outro aspecto é que já nesse tempo São Vicente de Paulo, viu com as Confrarias da Caridade, tinha de criar regras na distribuição dos bens.

No nosso século, sinto realmente que as nossas organizações de solidariedade sociais se devem entender ou não na divulgação de alguns dados pessoais tais como; nomes, moradas e identificação segurança social. A não haver alguma organização séria, responsável e sigilo, poderá haver famílias seriamente prejudicadas. É tempo de ser revista estes critérios de controlo.  

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