«Somos chamados ao trabalho desde a nossa criação. Ajudar "pessoas em situação de pobreza", deve ser sempre um remédio provisório. O verdadeiro objectivo deveria ser sempre consentir-lhes uma vida digna através do trabalho» Laudato Si: página 88.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Dia 14 de Dezembro todos ao Plenário



CAROS CONFRADES VICENTINOS
DO CONSELHO DE ZONA GAIA NORTE -
SOCIEDADE DE SÃO VICENTE DE PAULO,
FICAM TODOS CONVIDADOS À FESTA DE NATAL PELAS 15,30 NA SALA DAS CONFERÊNCIAS.

Traga uma pequena prenda de Natal para no fim do Plenário Regulamentar partilharmos uns com os outros.

Nota: por questões de logística até ao dia 8 indique a sua presença.

Conto contigo.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Um agradecimento reconhecido do C.Z.G.N. aos Jovens Vicentinos de São Francisco Assis-Avintes

No rescaldo do passado dia 21 e 22 de Setembro do Encontro Nacional de Jovens Vicentinos em Fátima é importante para este conselho relembrar e agradecer o trabalho realizado, trabalho que teve a participação dos nossos jovens vicentino cujo o seu Patrono São Francisco de Assis de Avintes.

Na oportunidade de podermos estar presente como observador da direcção junto dos jovens ali presente, o que ficou para mim na memória ficou foi o mote lançado para discussão, entre outros, a união entre os vicentinos, a presença, o estar com e através de uma composição de um corpo ali representado em forma de boneco, se não houvesse um coração que pode significar "darmos-nos" incorporados na tarefa não seriamos os mesmos. Para isso foi vincada a frase «união entre jovens» vicentinos. Achei importante dizerem-nos que por vezes vale mais ter um jovem assistir à missa meio ensonado do que este, estar ausente. O momento foi bastante interessante (embora estivesse só na parte final) a importância da unidade, aprendizagem que, os jovens pela sua idade podem fazer na sociedade vicentina, um meio na procura de Deus, na pessoa do mais aflito que é os nossos companheiros desprotegidos. Não precisarei de agradecer a presença deles mas em todo caso por cortesia aqui fica. O meu, o nosso, Obrigado.


Transcrevo: Os «Testemunhos de Jovens da Diocese do Porto», dos Jovens Vicentinos de São Francisco Assis-Avintes, publicado no Boletim Português da S.S.V.P.-Portugal.

JUVENTUDE foi algo que se viu, sentiu, ouviu e viveu em Fátima nos dias 21 e 22 de Setembro! Fátima é um local de fé. Um local de paz, de liberdade e de oração. Mas para nós, Jovens Vicentinos, ainda aprendizes do que é realmente fazer caridade e ser exemplo de Jesus, significou muito mais.
Neste curto encontro com Deus e com a Família Vicentina conseguimos criar uma relação de proximidade com os nossos "companheiros de viagem": jovens que seguem o mesmo exemplo e têm o mesmo objectivo que nós. Neste fim-de-semana, partilhamos ideia, alegrias, estabelecemos novas amizades, reforçamos os nossos laços de verdadeira família Vicentina. Conseguimos reflectir sobre o nosso trabalho, perceber como é gratificante ajudar os outros e que ser vicentino é verdadeiramente partilhar essa virtude: a Caridade. é dar um SIM A jesus, á nossa missão de servir os pobres, sermos discípulos e fazermos parte da rede de serviço ao irmão que mais necessita.
A nossa ligação com Deus foi também engrandecida pela visita que fizemos ao centro Bíblico/Casa dos Capuchinhos, onde tivemos o privilégio de escutar o Frei Lopes Morgado, que nos fez uma curta mas belíssima apresentação Bíblica da Casa. Foi uma experiência muito positiva porque atingiu perfeitamente os objectivos a que se prepôs de união, partilha, amizade, esclarecimento e definição precisa do que é ser Vicentino.
Foi um fim de semana de divertimento e reflexão, mas acima de tudo deu-nos a possibilidade de nos conhecermos melhor e crescermos como grupo que somos. As actividades que realizámos juntos mostraram-nos ainda mais a importância da união e espírito de equipa. Aprendemos a não desistir, a saber perdoar os outros e perceber que as diferenças capacidades e mentalidades não devem servir como motivo de competição, mas sim para se complementarem e resultar num melhor trabalho e, só assim conseguiremos ultrapassar os obstáculos.
  

Foram momentos que acho que nenhum de nós alguma vez irá esquecer e queremos, sem dúvida, repetir, não só com Deus, mas também entre nós como grupo e, JUNTOS mostrar que os jovens têm muito para dar!
Conferência de São Francisco 
de Assis - Avintes.






     

domingo, 1 de dezembro de 2013

A VIDA DE OZANAM ( II )

««O tempo de leitura para este artigo é de 6 minutos»»

Vida de Ozanam (II) 
                                                                                          
Mudança para Paris 

Para tanta juventude, era sublime. Concluído seu curso colegial em Lião, resolveu seu pai enviá-lo, afinal, a Paris, para o Curso de Direito, visto não haver na sua cidade Faculdade para essa formatura. A decisão não agradou a Ozanam, visto como não pretendia as letras jurídicas e receava as tentações da “nova Babilónia” em que se transformara a capital francesa, para onde acorriam reformadores e revolucionários, juntamente com cientistas e gozadores da vida. Confiava em Deus e nos ensinamentos maternos. 
Para aquele jovem de 18 anos, educado em família cristã, Paris se apresentava como “vasto cadáver ao qual se teria de amarrar, tão moço e tão cheio de vida”. E, por isso, dizia, “Paris me deixa gelado, Paris me mata” , ao sentir-se “no meio de uma multidão inepta e sensual”. Honesto e inocente, receava a corrupção e a irreligião
Dominantes naquele “mundo pérfido”, que chamavam Cidade Luz. Essas as primeiras impressões de Ozanam, vendo Paris.
Por indicação de velha amiga de sua mãe, hospedou-se numa pensão ordinária, cujos hóspedes, tanto homens como mulheres sem religião e sem educação, não guardavam conveniências e, sabendo-o católico, dirigiam-lhe gracejos irreverentes, troçando por conservar ele o costume de jejuar. Procurava consolar-se, com lembrança de sua mãe e muita oração.
Felizmente encontrou no Padre Marduel, constante amparo, conselheiro íntimo, servindo- lhe “de pai e mãe”; sem ele “teria morrido de melancolia”. 

A amizade com o destacado cientista Ampère 

Visitando Lião, Ampère, sábio católico, encontrou Ozanam, a quem externou admiração pelo seu trabalho contra Saint-Simon, exigindo que, indo a Paris, o fosse ver . Lembrando-se desse convite, foi ele ter com Ampère, que o recebeu com efusão. Na conversa, Ozanam referiu-se ao desconforto de sua pensão, principalmente à irreligiosidade reinante. Para seu espanto, o sábio, mostrando o quarto do filho em estudos na Alemanha, ofereceu-lhe hospedagem até que este regressasse. 
André-Maria Ampère andava pelos 56 anos e já ocupava lugar destacado no mundo científico. Membro do Instituto, professor de matemática da Escola politécnica e. de Física no Colégio de França, admirado na Inglaterra, Alemanha, Suécia, Bélgica. 
Era o maior nome científico de seu país e do século. Apesar de grande fama era um católico decidido e humilde, ajoelhando-se, rezando contrito na igreja, diante do Santíssimo Sacramento, como o encontrou certa vez Ozanam. 
O jovem, cheio de saudades dos pais, encontrou na casa de Ampère agradável ambiente familiar. Tendo perdido a esposa, o grande sábio era atendido pela irmã, consolado pela filha Albina, orgulhando-se pelos triunfos do filho João-Jacques, que alcançou renome nos meios literários. 
A presença de Ozanam animava de certo modo a casa, e, escrevendo ao pai, narrava como era bem tratado, ficando à vontade na mesa e participando de palestras interessantes e instrutivas. 
Graças à amizade de Ampère conseguiu Ozanam frequentar o Instituto de França, consultando sua maravilhosa biblioteca e conhecendo pessoas célebres. Uma das suas primeiras aproximações foi Ballanche, bom católico, eminente literato, a quem se ligou como a um bom mestre, embora fazendo reservas às suas profecias apocalípticas. Apesar disso, as ideias de Belanche nele influíram, ao afirmar que, malgrado a incredulidade, a Europa guardaria a fé e o Cristianismo não afrouxaria nem desapareceria das nações.  

O encontro com Chateaubriand  

Ozanam aspirava ardentemente encontrar-se com Chateaubriand, autor do “Génio do Cristianismo”. Trouxera carta do cônego de Lião, padre Bonnevie. Encontrou-o quando regressava da missa. Afavelmente acolhido, na conversa perguntou-lhe Chateaubriand se ia ao teatro. Ozanam respondeu que prometera à mãe jamais frequentar teatro, tendo o escritor concluído: “Siga o conselho de sua mãe. Você nada ganhará indo ao teatro e, antes, teria muito a perder”. Isso lhe ficou na memória para sempre. 
A convivência de Ozanam nesse mundo de cientistas, sábios e filósofos era uma preparação para os próximos voos que a jovem águia teria que desferir. A Sorbona o esperava, pois era lá que iria desenrolar-se seu campo de batalha e alcançar suas vitórias. A Sorbona, fundada em 1250 pelo padre Roberto Sorbon, capelão do rei S. Luís, caíra nas mãos de adversários da Igreja. E a tarefa de enfrentá-los ia caber a Ozanam.  

A procura de companheiros cristãos na faculdade


Ozanam viera a Paris, para fazer o Curso de Direito, por determinação paterna, Era preciso iniciar os estudos, o que fez em meados de 1831, a eles dedicando-se inteiramente, não só assistindo às aulas, mas redigindo as lições que acabava de ouvir. Além disso, comparecia às conferências e debates entre advogados, procurando conhecer de perto a prática da exacta aplicação das leis, fosse como defensor, fosse como acusador, desenvolvendo com isso o seu talento oratório. 
Mas Ozanam tinha outras intenções na frequência assídua às aulas e cursos. Ele ansiava por conquistar companheiros para uma tarefa toda especial. Desejava cercar-se de colegas que sentissem e pensassem como ele no tocante aos ideais cristãos e verificar como era “difícil reunir defensores em torno de uma bandeira”. Ele sabia que existiam esses procurados companheiros e já encontrara mesmo jovens que consagravam, embora isoladamente, os mesmos propósitos por ele acalentados. Precisava reuni-los. Aparentemente faltavam a Ozanam qualidades de liderança. Não podia contar com o prestígio da beleza nem com ar autoritário. Mas era a bondade em pessoa, numa simplicidade que atraía simpatias. O que lhe dava mais destaque era a sua vigorosa inteligência e a maneira de agradar quase espontânea. Humilde por natureza, não avançava em intimidades, mas sabia despertar amizades imperceptíveis. Essas qualidades lhe valeram as primeiras aproximações com aqueles que iriam ser companheiros inseparáveis. 
Como não podia deixar de acontecer, foram estudantes lioneses os primeiros a participarem da amizade deOzanam, começando pelo primo Pessonneaux, vindo a seguir Janmot, seu companheiro de primeira comunhão, Velay, Jouteaux, Perriere e Chaurand, que iriam formar na primeira Conferência de São Vicente de Paulo em Paris e depois em Lião. Ozanam via neles aproximar-se a fonte para jorrar o amor, como da aproximação das nuvens nascem raios. Mas ainda não era tempo. 

O início da amizade com Lallier  

A hora das grandes batalhas ia-se aproximando. Um dia, no Colégio de França, o professor Letrone aproveitou uma aula de egiptologia para achincalhar a Bíblia. Ozanam reprovava as injúrias com significativos movimentos de cabeça, tendo notado que outro estudante fazia o mesmo. 
Finda a aula, tentou encontrá-lo, sem resultado. Noutro dia, aquele estudante viu Ozanam num debate com outros colegas, dele aproximou-se. Cumprimentou-o, sendo correspondido, logo travando amizade: Era Lallier.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

A VIDA DE OZANAM ( I )

A Direcção do Conselho de Zona Gaia Norte, na auscultação em conversa com vários confrades, tem vindo a sentir por parte deles, alguma necessidade de proporcionar alguns temas que sirvam de formação e informação e reflexão para os mais novos e para recordar aos mais antigos, os objectivos que norteiam a actividade de vicentinos entre si, e na recolha de conhecimentos da vida e obras de São Vicente de Paulo e Beato Frederico Ozanam.
Assim, decidimos proporcionar a todos vicentinos alguns temas retirado do site "Somos Vicentinos" da Vida de Ozanam. Os temas são dezasseis. 

O seu tempo de leitura demorá por volta de 6 minutos.


Vida de Ozanam (I)
Origens

No dia 1º de maio de 1813 era levada à pia baptismal, na igreja da Santa Maria dos Servos, em Milão, uma
criança do sexo masculino, nascida a 23 de abril; tomou, então, o nome de António Frederico Ozanam, quinto filho de João António Ozanam e Maria Nantas, ali residentes, vindos de Lião, na França, de onde haviam emigrado para conseguir trabalho. João António alcançou isso, primeiro como professor e, depois, como médico.
João Ozanam tinha lutado nos exércitos de Napoleão, chegando a Capitão. Muito valente, certa vez,
acompanhado de dois cavalariános, arrebatou seu pai das mãos dos jacobinos, que o tinham aprisionado e o iam condenar à morte.
Inconformado por se ter Napoleão feito Imperador, abandonou a carreira militar, tentando o comércio, sem êxito, falta de habilidade. Mudou-se para Milão, conseguindo formar-se em Medicina, chegando a ocupar a chefia clínica do Hospital Militar da cidade.
Quando os franceses abandonaram Milão, João António regressou a Lião, ali impondo-se facilmente,
conquistando por concurso o cargo de médico da Santa Casa e alcançando grande clientela.
Apesar dessa posição destacada, ocupava-se com a esposa em socorrer os pobres, visitando-os nos seus
casebres e águas furtadas, assim procedendo os dois até muito idosos.
Dos 14 filhos do casal faleceram quase todos na infância, sobrevivendo com Ozanam, Afonso (padre) e Carlos (médico).
O menino Frederico era franzino e doente, o que concorria para aumentar os cuidados que a ele dedicavam sua mãe e sua irmã Elisa, que morreu aos 18 anos. Acometido de tifo, aos seis anos, este à morte, escapando graças à assistência desvelada das duas e a uma promessa a São Francisco de Régis. Essa dedicação recordava Ozanam depois, dizendo “Meus bons pais não me largaram a cabeceira durante 15 dias e 15 noites”.
Como consequeência das atenções de que era cercado, o menino Ozanam apresentava vez por outra atitudes de rebeldia, de que ele mesmo se acusou, escrevendo mais tarde ter sido, pelos oito anos, “colérico, desobediente, e preguiçoso”. Havia nessa confissão algo de exagero, pois, segundo depoimento de seu irmão, padre Afonso,  ele era às vezes intratável, mas, “de pureza angélica, impecável sinceridade e cheio de compaixão pelos sofredores, repelindo o mal e acolhendo o bem”. 

Facilidade nos estudos 

Apesar de franzino e doente, Frederico, desde os primeiros anos, demonstrou inteligência viva, acompanhando, com atenção os estudos os irmãos mais velhos, chegando a repetir integralmente passagens das lições deles.
Aos nove anos entrou para o Colégio Real de Lião, ali despertando sua vocação literária. Ele atribuía essa
inclinação para as letras à influência de sua mãe, auxiliada pela irmã Elisa, “tornando as lições verdadeiro
prazer”. Não esquecia também a influência do pai. Maria Nantas era inteligente e culta, dando aos filhos sólida formação cristã, e isso Ozanam recorda, ao escrever mais tarde, que “foi sobre seus joelhos que aprendi vosso temor, Senhor, e sob seu olhar, o vosso amor”. De sua primeira comunhão conservou suaves recordações, afirmando: “Ó dia feliz! Que minha língua fique pregada no céu da boca se jamais te esquecer!” E acrescenta que todos notaram como ele se tornara modesto e dócil.
No Colégio, Frederico despertava entre seus mestres a maior admiração, distinguindo-se pela facilidade com que aprendia as lições. Destacava-se pelo brilho da inteligência e beleza dos sentimentos. Parecia trazer inatas as centelhas da poesia e eloquência. Ainda não atingira os 13 anos e já compunha em prosa e verso, tanto em francês como em latim, verdadeiras maravilhas. Muitas dessas composições enfeixavam mistérios da vida de Jesus e louvores à Virgem Santíssima.

Dúvidas de Fé

Foi em plena adolescência, que Frederico sentiu turvar-se o céu de sua fé com nuvens perigosas, agitadas pelas rajadas da dúvida religiosa.
Ele pagava com esse tormento o despertar precoce de suas actividades intelectuais. Discutia consigo mesmo, em desespero, os dogmas sagrados, e tinha a impressão de esmagá-los com as mãos. Cercado de incrédulos, que disso se gabavam, perguntava-se por que tinha fé. Com isso torturava-se ansioso.
Embora duvidando, ele confiava em Deus, e, entretanto numa igreja, diante do Santíssimo Sacramento,
prometeu, se alcançasse penetrar a verdade, consagrar sua vida inteira à defesa da fé. E Deus mandou-lhe, em auxílio, o célebre Padre Noirot, que conseguiu, em pouco tempo, segundo o próprio Ozanam, restituir-lhe a solidez da razão bem esclarecida, que a ele aderia, criando raízes, para resistir à torrente da dúvida. Passou à sentir, então, profunda pena dos incrédulos.
Âncora de salvação para a alma atormentada do jovem Frederico, o Padre Noirot era um desses educadores de fina raça, que penetrava com subtileza os pensamentos e dúvidas da juventude, quando esta tentava delinear os segredos do futuro. Professor de filosofia no Colégio de Lião durante vinte anos, procedia como Sócrates.
Gravou forte impressão na jovem e brilhante geração da época.
Ozanam tornou-se seu discípulo predilecto, acompanhando-o em longos passeios por caminhos solitários.

Conclusão dos estudos secundários. 

Aos 16 anos concluiu Frederico Ozanam seus estudos secundários; seu pai que vinha acalentando a ideia de vê-lo seguir a magistratura, colocou-o como praticante no escritório de advocacia de seu amigo, Dr. Coulet.
Embora não gostando da carreira jurídica, pois sua vocação era a literatura, submeteu-se ele aos desígnios
paternos e passou a copiar sentenças ou a ler extensos calhamaço, cheios de fraseologia tabelioa em tudo
imprópria a uma carreira literária.
Ao mesmo tempo em que se esforçava para adaptar-se à rotina das actividades notariais, Ozanam frequentava aulas de alemão e desenho, que lhe sentiam como janelas para o mundo das ideias e das artes. No entanto, fosse no escritório de advocacia ou nas lições de alemão, seus companheiros de trabalho ou de estudos distraíam-se com conversas imorais e ainda procuravam atormentar o jovem com insinuações abomináveis. Ozanam resolveu terminar com aquelas provocações.
Numa ocasião, quando mais se acentuavam as provocações perversas dos companheiros, primeiro no escritório, depois na classe, Ozanam, vencendo sua timidez e sua modéstia, encheu-se de energia e, com palavras incisivas, reduziu o grupo ao silêncio, embora com calma e persuasão. Afirmou sua fé católica e, dentro dessa afirmação, procurou convencer os rapazes de seus erros, sem ofendê-los ou desprezá-los, com isso conquistando a amizade de todos e acabando com as conversas indesejáveis.

Combate ao “Cristianismo Novo”

Depois de 1830 foi Lião invadida pela pregação de uma nova doutrina, intitulada de “Cristianismo Novo”, surgida em Paris, invenção do conde Saint-Simon, que adquiriu muitos adeptos. Nada mais era do que uma deturpação do Catolicismo, transformado em reivindicações económicas e políticas.
Era o surgimento do Socialismo, embora Saint-Simon não tivesse empregado a palavra, adoptada depois pelo economista inglês Roberto Owen. Ozanam, apesar dos seus 17 anos, resolveu combater a investida
sansimoniana.
Sentindo o perigo daquela mistura de Cristianismo com Socialismo, Ozanam escreveu um vibrante artigo
publicado no “Precurseur”, que apoiava a nova religião. Nele, destruía as mentiras do sansimonismo, dizendo: “A História o desmente e a consciência da humanidade o reprova; o senso comum o repudia. Contraditório em seu princípio, seria desastroso, ao mesmo tempo que impossível, no seu final, fazendo recuar para longe o género humano no rumo do progresso e da civilização”.
O artigo, depois enfeixado em folheto com o título de “Reflexões Sobre a Doutrina de Saint-Simon”, alcançou repercussão extraordinária, com elogios exultantes de grandes escritores da época, como Lamartine, Chateaubriand ou sábios como Ampère.
Outro qualquer se teria enchido de orgulho, mas o moço estreante sentia que não era homem de vanglorias mas de encontrar-se a si mesmo, aplicando aos seus actos “a regra do amor: amor de Deus e do próximo”.


domingo, 3 de novembro de 2013

Apoio para Emergência Social em Gaia

A Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia colocou à disposição dos municípios e destinada a pessoas com carências especiais um Serviço de Apoio Municipal para Emergência Social.
Ver anuncio.

sábado, 19 de outubro de 2013

Os tempos quererão mudar o homem “situacionista”!

Interrogo-me se será que é o tempo que muda o homem ou será que o homem tenta mudar o tempo.
Alguns saberão que o universo de eventos é percebido por um referencial acelerado segundo a teoria da relatividade. Não irei aqui discutir o universo com pontinhos negros ou a relatividade (pois a minha formação não e cientifica), mas alerta o meu pensamento se será que algo estará a mudar ou será que o tempo força o homem à mudança…
Penso que o texto a seguir tem a ver como o “tempo será o seu mestre” com a postura a forma de abordagem que o Papa Francisco tem colocado desde o seu início papal, às questões da pastoral da igreja na sua forma de estar, comunicar, de caminhar de se identificar com os valores transmitidos nos evangelhos pelos apóstolos, nas palavras de seu mestre: Jesus Cristo.

O Papa tem-nos surpreendido com algumas afirmações “bombásticas”, na igreja que deixa alguns padres e bispos perplexos com as suas abordagens e afirmações dos problemas, melhor dizendo com os seus «apontar caminhos» que a igreja devia ter.
Ainda recentemente na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) no Brasil, o Papa Francisco aos bispos brasileiros abordava questões difíceis e exigentes do domínio da pastoral, em textos muito fortes.
Sabemos que a primeira encíclica do Papa Francisco intitula-se Lumen Fidei, publicado no começo de Julho, foi escrita principalmente por Bento XVI; Francisco contentar-se-ia acrescentar ma espécie de posfácio. 
Papa Francisco dirigindo-se aos bispos, aborda questões como; a igreja de ser de tal maneira exigente em seus “padrões” que desencoraja um conjunto de pessoas: “ muitos buscam atalhos, porque se apresenta demasiada alta a “medida” da Grande Igreja. Também exigem aqueles que reconhecem o ideal do homem e de vida proposto pela igreja, retraindo a audácia de abraça-la. Pensam que este ideal seja grande demais para eles, esteja fora das suas possibilidades; a meta a alcançar é inatingível”.

Bergoglio não tem medo das palavras e chama a uma igreja de: chata, rígida, fria, centrada no seu umbigo! Nunca Bento XVI e João Paulo II fizeram semelhante autocrítica. 
O Papa não hesita em tocar outro assunto na instituição: o lugar das mulheres. Hesitação do “desempenho das mulheres na igreja. Diz mais se a Igreja perde as mulheres, na sua dimensão global e real, ela corre o risco de esterilidade” A solução passa, segundo o Papa, pelo exercício da maternidade da Igreja, isto é, pelo exercício da misericórdia. “Ela gera, amamenta, faz crescer, corrige, alimenta, conduz pela mão…”

Nas suas alocuções aos bispos latino-americanos, numa reflexão profunda apela a uma verdadeira conversão pastoral, sob a forma de um verdadeiro exame de consciência.
O Papa exorta a uma revolução pastoral mais que administrativa. O Papa denuncia o funcionalismo que “olha para a eficácia” que deixa fascinar pelas estatísticas e “reduz a realidade da Igreja à estrutura de uma Ong”.

Entre muitos “recados”: «A valorização dos leigos na missão». »A confiança no talento do “seu rebanho”». «O bispo deve guiar, o que não é o mesmo que dominar». Ecoando o que vem dizendo desde a sua eleição, o Papa denuncia o clericalismo: “Na sua maioria dos casos, trata-se de uma cumplicidade pecadora: o pároco clericaliza e o leigo lhe pede por favor que o clericalize”
Citação partes de textos escrito por LBoff.
O que tem a ver tudo isto com a Sociedade São Vicente de Paulo? 
Uns dos aspectos que encontro é que a pastoral vicentina é ainda ineficaz, está ainda na incubadora, ainda não nasceu para enfrentar os caminhos a que se nos depara algumas vezes num acompanhamento de um assistido. Encontro alguns medos e receios de se expor ao desagradável nas perguntas e respostas que um pobre nos questiona. Questões que nos põe exigindo que tenhamos a solução de problema, algumas vezes do seu problema pois o que está em causa é, a sua família. As pessoas exigem de nós “que muitas vezes não temos a capacidade de resposta” e não conseguimos ouvir, retirámo-nos. «Dizem que a retirada no campo de batalha é a melhor defesa!..»
Sinto e felizmente não é em todos os casos, graças a Deus, pomo-nos numa posição cómoda de lugar, não damos respostas, não investimos na felicidade do ser humano. O homem em dificuldade sente à sua volta um certo situacionismo. Tudo numa boa. Tudo na mesma. 
Acho que O papa Francisco caiu-nos do Céu e com os seus ensinamentos os tempos irão virar os pensamentos do homem e se calhar estes tempos de poupança de contenção económica, seja o abrir caminhos para uma nova Esperança. É isto que vou sentindo diariamente. Primeiro o saldo de tesouraria e depois o homem…